O Centro de Liderança Pública (CLP), em parceria com a Tendências Consultoria, divulgou em 27 de agosto de 2026 a nova edição do Ranking de Competitividade dos Estados, e o resultado trouxe boas notícias para o ambiente de negócios da Paraíba e avanços pontuais, mas ainda insuficientes, para Pernambuco. A Paraíba subiu para a 12ª posição no ranking geral do país — segunda colocação no Nordeste, atrás apenas do Ceará, por uma diferença mínima de 0,12 ponto — e se tornou a 4ª colocada nacional no pilar Potencial de Mercado, considerado por especialistas o indicador mais direto da capacidade de um estado atrair investimento privado. Pernambuco, por sua vez, avançou duas posições no geral, chegando ao 17º lugar nacional e 5º no Nordeste, com destaque para um salto de nove posições exatamente nesse mesmo pilar de mercado.
O que mede o ranking e por que ele importa para quem empreende
O estudo do CLP avalia os 27 estados brasileiros a partir de 100 indicadores públicos, agrupados em dez pilares: Segurança, Sustentabilidade Social, Infraestrutura, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Capital Humano, Sustentabilidade Ambiental, Potencial de Mercado e Inovação. Os dados são convertidos para uma escala de 0 a 100, com pesos diferentes por pilar — Segurança, Sustentabilidade Social, Infraestrutura e Educação respondem, cada um, por 11,3% da nota final. Na ponta nacional, Santa Catarina tomou a liderança histórica de São Paulo, abrindo uma vantagem de 6,4 pontos. Nenhum estado nordestino aparece entre os dez primeiros do país: o Ceará, líder regional, ocupa a 11ª posição nacional, seguido pela Paraíba (12º), Rio Grande do Norte (15º), Sergipe (16º), Pernambuco (17º), Alagoas (18º), Piauí (19º), Bahia (21º) e Maranhão (23º).
Rankings desse tipo são acompanhados de perto por bancos de fomento, fundos de investimento, secretarias de desenvolvimento econômico e empresas em fase de decisão sobre onde abrir uma filial, um centro de distribuição ou uma nova planta industrial — funcionando, na prática, como um selo de confiança (ou um alerta) para quem avalia risco de investir em determinado estado.
Paraíba: melhor momento em Potencial de Mercado dos últimos anos
Segundo o levantamento, a Paraíba avançou em sete dos dez pilares avaliados na edição 2026: ganhou uma posição em Infraestrutura (chegando à 6ª colocação nacional), duas em Sustentabilidade Social, uma em Educação, uma em Eficiência da Máquina Pública, duas em Capital Humano, cinco em Sustentabilidade Ambiental — o maior salto do estado na edição, saindo do 16º para o 11º lugar — e três em Potencial de Mercado, alcançando a 4ª posição do país, ante a 7ª colocação registrada na edição anterior. O estado também manteve a 6ª posição nacional em Inovação. Em uma análise complementar do CLP sobre evolução econômica no período 2023-2025, que soma 33 indicadores de Capital Humano, Infraestrutura, Inovação e Potencial de Mercado, a Paraíba ficou em 3º lugar entre os estados que mais evoluíram no país, atrás apenas de Espírito Santo e Bahia.
Gilmar Martins, secretário do Planejamento, Orçamento e Gestão da Paraíba, associou o resultado a uma combinação de políticas educacionais e de infraestrutura. Segundo ele, citado pela Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (CINEP), “escolas em tempo integral, intercâmbios internacionais, apoio à formação de mestres e doutores, investimentos em infraestrutura e CT&I, e a estabilidade fiscal potencializaram o ambiente de negócios” no estado. As reportagens consultadas não detalham o desempenho de municípios específicos da Paraíba, como João Pessoa, Campina Grande ou Cabedelo, dentro do ranking — qualquer expectativa de que a melhora em infraestrutura beneficie diretamente o Porto de Cabedelo ou o polo tecnológico de Campina Grande é inferência do Seliga Litoral, não um dado confirmado pelo CLP.
Pernambuco avança, mas esbarra em gargalos sociais e de infraestrutura
Pernambuco subiu duas posições no ranking geral (de 19º para 17º) e apresentou avanços relevantes em pilares específicos: nove posições em Potencial de Mercado (26º para 17º), quatro em Segurança Pública (21º para 17º, a melhor marca histórica do estado nesse quesito) e duas em Solidez Fiscal (14º para 12º). O estado também aparece bem posicionado em indicadores pontuais, como 1º lugar em Avaliação da Educação, 2º em Pesquisa Científica e 4º em Recuperação de Áreas Degradadas e em Mortalidade Materna.
Por outro lado, o levantamento escancara fragilidades que preocupam quem pensa em investir no estado: Pernambuco caiu quatro posições em Infraestrutura (de 11º para 15º) e aparece mal colocado em Capital Humano (25º), Inserção Econômica (27º, a pior posição do país no indicador) e no percentual de famílias abaixo da linha da pobreza (24º). O economista Edgard Leonardo, da Unit-PE, resumiu o quadro dizendo que o estado “apresenta bons resultados em determinadas áreas, mas enfrenta dificuldades persistentes em indicadores sociais, capital humano e parte da infraestrutura”. Já o consultor Fábio Menezes, da TGI, cobrou mais protagonismo do setor privado, afirmando que “a classe empresarial pode e deve exercer um papel muito mais relevante no desenvolvimento da competitividade estadual, para além de iniciativas pontuais”.
Suape, Transnordestina e o Agreste na conta da competitividade
A queda de Pernambuco em Infraestrutura ocorre justamente no momento em que o estado tenta consolidar o Complexo Industrial e Portuário de Suape como plataforma logística do Nordeste — o porto recebeu em setembro o primeiro navio em seu novo terminal eletrificado da APM Terminals e prepara a chegada de um novo armador internacional. Daniel Torres, da Adesa, citado na cobertura sobre o ranking, apontou a Ferrovia Transnordestina como peça-chave para o Sertão pernambucano, em especial para a indústria do gesso, defendendo que a conclusão da ligação até o Porto de Suape e a integração com a Ferrovia Norte-Sul são condições para o estado ganhar competitividade regional de fato.
No recorte municipal do próprio ranking do CLP — que avaliou 423 cidades brasileiras com mais de 80 mil habitantes —, Recife aparece na 69ª posição nacional (queda de oito posições) e 11ª entre as capitais, enquanto polos do interior pernambucano surgem mais atrás na lista: Serra Talhada em 171º, Belo Jardim em 201º (com avanço de 63 posições, puxado por melhorias em gestão, saúde e segurança), Caruaru em 204º e Petrolina em 234º. O Nordeste como um todo responde por 23,2% dos municípios analisados, mas concentra 48 das 100 piores colocações do país, com fragilidade especialmente na dimensão “Sociedade”, que reúne saúde, educação, segurança, saneamento e meio ambiente.
O que muda na prática para empresas e consumidores
Para empresários da Paraíba e de Pernambuco, o ranking funciona menos como uma nota de vaidade política e mais como um argumento concreto em negociações com bancos de fomento, fundos e potenciais parceiros comerciais de fora do estado: uma posição melhor em Potencial de Mercado e Solidez Fiscal tende a facilitar acesso a crédito e a atrair centros de distribuição, indústrias e prestadores de serviço que buscam previsibilidade fiscal e mercado consumidor em expansão. Para o consumidor final, o efeito é indireto, mas real: mais competitividade estadual tende a se traduzir, no médio prazo, em mais oferta de emprego formal e mais concorrência entre empresas instaladas na região — desde que os gargalos de infraestrutura e capital humano, apontados pelo próprio ranking como pontos fracos de Pernambuco, sejam endereçados.
Perspectivas e conclusão
O desempenho da Paraíba no pilar de Potencial de Mercado e a evolução econômica reconhecida pelo próprio CLP sugerem que o estado consolidou, nos últimos anos, um ambiente mais previsível para negócios, ainda que o ranking não detalhe o quanto disso já se traduziu em novos investimentos privados anunciados. Pernambuco, por sua vez, mostra uma trajetória mista: ganha competitividade em mercado e segurança, mas segue perdendo terreno relativo em infraestrutura — justamente a variável que projetos como a Transnordestina e a expansão de Suape prometem endereçar nos próximos anos, sem prazo definido para maturação plena desses investimentos. Em um Nordeste onde nenhum estado figura entre os dez mais competitivos do Brasil, cada posição ganha peso: ela define, ano a ano, para onde vai o próximo aporte que pode gerar emprego e renda na Paraíba e em Pernambuco.
Fontes: Ranking de Competitividade dos Estados 2026, Centro de Liderança Pública (CLP) e Tendências Consultoria, divulgado em 27/08/2026 (movimentoeconomico.com.br, 27/08/2026)

