A AeC, companhia de tecnologia e relacionamento com clientes que se tornou a maior empregadora do Nordeste no setor de atendimento, abriu 1.530 vagas de emprego em setembro de 2026. Do total, 734 oportunidades estão na Paraíba, distribuídas por cinco cidades: Campina Grande (409), João Pessoa (179), Cajazeiras (70), Sousa (49) e Patos (27).
Vagas sem exigência de experiência
Segundo a empresa, as posições são compatíveis com estudantes de ensino médio, técnico e superior, e não exigem experiência prévia. “Nosso modelo permite que muitas pessoas iniciem sua trajetória profissional sem necessidade de experiência prévia”, afirmou Yveth Alves, superintendente de Pessoas da AeC.
Uma operação já consolidada na capital paraibana
A nova leva de contratações reforça uma presença que a AeC já vinha ampliando em João Pessoa. A companhia inaugurou, em 2024, sua segunda unidade na capital paraibana, no bairro de Mangabeira, com investimento que passou de R$ 100 milhões e mais de 12 mil m² de área construída — projeto que, em protocolo assinado ainda em 2022 com o Governo da Paraíba e a Prefeitura de João Pessoa, previa cerca de 3 mil empregos diretos e contou com incentivo do Programa de Incentivo Locacional, via Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep). À época, a inauguração contou até com presença do governo federal, um sinal da relevância do investimento para a geração de emprego no estado.
O pano de fundo: serviços puxam a contratação no país
O movimento da AeC não é isolado. O setor de serviços foi o que mais gerou emprego formal no Brasil no primeiro semestre de 2026, com mais de 571 mil vagas abertas, segundo dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Empresas de contact center e atendimento remoto têm se beneficiado da descentralização geográfica desse tipo de operação, que permite instalar grandes centrais fora dos eixos Sul e Sudeste, onde o custo da folha salarial e do aluguel corporativo costuma ser menor.
Consequências para empresas e consumidores
Para o mercado de trabalho paraibano, a abertura simultânea de centenas de vagas em cinco cidades tem efeito direto sobre a renda de famílias que, historicamente, tinham menos acesso a empregos formais com carteira assinada fora da capital — caso de Cajazeiras, Sousa e Patos, no interior do estado. Para outras empresas da região, o efeito é ambíguo: mais renda circulando tende a aquecer o comércio local, mas a competição por mão de obra em cidades menores pode pressionar salários de entrada em outros setores de serviços.
Relação com o Brasil
O caso da AeC ilustra uma tendência nacional de interiorização do emprego em serviços, puxada por empresas de call center, BPO (terceirização de processos de negócio) e atendimento digital, que buscam custos operacionais menores sem abrir mão de mão de obra qualificada — viabilizada, em parte, pela expansão da conectividade em cidades médias do interior nordestino.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
Na Paraíba, a AeC consolidou-se como uma das maiores empregadoras privadas do estado, com operações concentradas em João Pessoa e Campina Grande, mas agora também presentes no Sertão (Patos, Cajazeiras) e no Sertão do Piancó (Sousa). Em Pernambuco, o setor de serviços também lidera a geração de vagas em 2026, com Recife e Região Metropolitana concentrando centrais de atendimento de outras companhias do mesmo segmento — um padrão que reforça o Nordeste como destino preferencial desse tipo de investimento intensivo em mão de obra.
Perspectivas
Se o ritmo de abertura de vagas se mantiver, a Paraíba deve seguir ganhando peso relativo no mapa nacional de operações de atendimento ao cliente — um setor menos sujeito a ciclos de investimento de capital pesado do que a indústria, mas também mais sensível à automação por inteligência artificial no médio prazo, o que torna a capacitação da mão de obra local um fator determinante para a permanência desses empregos na região.
Fontes: Governo da Paraíba, “João Azevêdo assina protocolo de intenções para instalação de nova unidade da AeC com geração de 3 mil empregos”;

