Um grupo empresarial com origem na Paraíba acaba de assinar um dos maiores contratos logísticos do país. O Grupo Marlog, em consórcio com a Petrasalis Empreendimentos, formalizou no dia 10 de setembro de 2026 um contrato de aproximadamente R$ 815 milhões com a Autoridade Portuária de Santos (APS) para implantar e operar, pelos próximos 20 anos, um dos terminais logísticos mais modernos do Brasil dentro do Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina.
Um condomínio logístico de grande porte em Santos
O consórcio formado por Marlog e Petrasalis constituiu a sociedade de propósito específico Conecta Log Condomínio Logístico SPE S.A., responsável por todo o empreendimento. A área destinada ao projeto soma 16,1 hectares (161 mil m²), localizada no bairro de Conceiçãozinha, em Guarujá (SP), dentro do polígono do porto organizado de Santos. O projeto prevê a construção de aproximadamente 50 mil m² de armazéns e de um pátio regulador com capacidade para atender até 1.500 caminhões por dia, além de áreas de apoio à cadeia logística portuária.
Do interior da Paraíba a um dos maiores portos do país
O que chama atenção no negócio é justamente a origem do grupo à frente de parte do empreendimento: o Marlog nasceu na Paraíba, atuando historicamente em projetos de infraestrutura logística e portuária no estado, e agora passa a operar diretamente em um dos ativos portuários mais estratégicos do Brasil. Casos de empresas paraibanas que crescem a ponto de disputar e vencer contratos de grande porte fora do estado ainda são relativamente raros — o que torna esse contrato um símbolo do amadurecimento de parte do empresariado local, historicamente concentrado em setores mais tradicionais como construção civil, comércio e agroindústria.
Por que o Porto de Santos importa
O Porto de Santos concentra a maior movimentação de cargas do país, sendo porta de entrada e saída para importações e exportações de praticamente todos os setores da economia brasileira, do agronegócio à indústria automotiva. Ganhar espaço logístico ali, com um contrato de duas décadas de duração, garante ao consórcio um fluxo de receita estável e de longo prazo, associado a um dos ativos de infraestrutura mais disputados do país. Contratos de concessão ou parceria dentro da área organizada do porto costumam ser movimentados por grandes grupos nacionais e internacionais de logística — a presença de um grupo com raízes paraibanas nesse tipo de disputa é um dado que interessa diretamente ao empresariado da Paraíba, ainda que a operação em si ocorra em São Paulo.
Consequências para empresas e consumidores
Para clientes da cadeia logística — importadoras, exportadoras, indústrias e distribuidores que usam o Porto de Santos como rota — a chegada de um novo operador de grande porte tende a ampliar a oferta de armazenagem e de pátio regulador, o que pode ajudar a reduzir gargalos de fila de caminhões, um dos principais gargalos operacionais do complexo portuário santista nos últimos anos. Para o Marlog e a Petrasalis, o contrato representa um salto de escala: de operações regionais para um ativo de repercussão nacional, com faturamento previsto por duas décadas.
Relação com o Brasil
O caso se conecta a um movimento mais amplo de expansão da infraestrutura logística em torno do Porto de Santos, motivado pelo crescimento constante do comércio exterior brasileiro e pela necessidade de descongestionar a movimentação de cargas em um dos gargalos logísticos mais citados por exportadores do país. Novos operadores privados assumindo áreas dentro do porto organizado fazem parte da estratégia da Autoridade Portuária de Santos para ampliar capacidade sem depender exclusivamente de investimento público.
Relação com Pernambuco e Paraíba
Embora o empreendimento em si esteja em Santos (SP), o protagonismo de um grupo com origem na Paraíba em um contrato desse porte é, em si, a notícia de maior interesse regional: mostra que empresas paraibanas conseguem competir e vencer disputas por ativos estratégicos fora do eixo Sudeste, algo que pode abrir caminho para outras empresas do estado buscarem contratos de infraestrutura em portos como Suape (PE) e Cabedelo (PB) com mais capital e experiência acumulada nesse tipo de operação de grande escala. É uma inferência de médio prazo, não um efeito automático — mas é o tipo de precedente que costuma ser observado de perto por outras empresas regionais do setor de infraestrutura e logística.
Perspectivas
A reportagem que originou a notícia não detalhou prazo de início das obras nem número de empregos diretos gerados pelo empreendimento. O ponto de atenção para os próximos meses é o cronograma de implantação do condomínio logístico e se o Marlog buscará, a partir dessa referência em Santos, novos contratos de infraestrutura portuária em outras regiões do país, incluindo o Nordeste.

