A três semanas do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, as pesquisas eleitorais mais recentes mostram uma corrida cada vez mais disputada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato oficial do partido após a inelegibilidade do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 7 de setembro de 2026, com entrevistas realizadas entre 3 e 6 de setembro com 2.004 eleitores, margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, a simulação de segundo turno aponta empate técnico exato: 41% para Lula e 41% para Flávio Bolsonaro.
O que dizem as pesquisas
No cenário de primeiro turno com Pablo Marçal (PRTB) na lista, a Quaest registrou Lula com 36% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 29%, Augusto Cury (Avante) com 8%, Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) com 3% cada, e Romeu Zema (Novo) com 2%. Brancos, nulos e quem não vai votar somaram 8%, e os indecisos, 9%. Em outros cenários de segundo turno testados pela Quaest, Lula aparece à frente de todos os demais adversários: 39% a 35% contra Augusto Cury, 42% a 37% contra Renan Santos, 41% a 38% contra Ronaldo Caiado e 44% a 33% contra Romeu Zema.
A Datafolha, em duas rodadas divulgadas nas primeiras duas semanas de setembro, mostra tendência semelhante. Na pesquisa de 1º a 3 de setembro (2.002 entrevistados, margem de erro de 2 pontos), Lula tinha 39% no cenário estimulado com Marçal, contra 32% de Flávio Bolsonaro, com Augusto Cury em terceiro, com 7%. No segundo turno, Lula vencia por 46% a 44% — já um empate técnico dentro da margem de erro. Na rodada seguinte, de 8 a 10 de setembro, sem Marçal na lista, a distância no primeiro turno diminuiu ainda mais: Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 35%, enquanto o segundo turno se manteve no mesmo patamar, 46% a 44%.
De prisão domiciliar do pai à candidatura do filho
A candidatura de Flávio Bolsonaro foi oficializada em convenção nacional do PL no estádio do Pacaembu, em São Paulo, em julho de 2026. O evento consolidou o senador como sucessor político do pai, que está inelegível e cumpre prisão domiciliar após condenação pelo Supremo Tribunal Federal por participação em trama golpista. Segundo o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a escolha de Flávio para liderar o projeto eleitoral do partido partiu do próprio Jair Bolsonaro. O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) é o candidato a vice-presidente na chapa. Flávio Bolsonaro, nascido em Resende (RJ) em 1981, é formado em Direito e iniciou a carreira política em 2002 como deputado estadual no Rio de Janeiro, tendo sido eleito senador em 2018 com mais de quatro milhões de votos.
Uma corrida que estreitou ao longo de agosto e setembro
O movimento identificado pelas três pesquisas mais recentes não é um evento isolado, mas parte de uma tendência: a Quaest já vinha registrando, desde meados de agosto, queda no porcentual de eleitores indecisos — de 51% em 14 de agosto para 42% na primeira semana de setembro, à medida que o período de campanha eleitoral avançou e os candidatos ganharam mais exposição. Esse deslocamento de indecisos parece estar beneficiando proporcionalmente mais Flávio Bolsonaro do que Lula nas últimas semanas, o que explica por que o segundo turno passou de uma vantagem mais folgada do presidente, registrada em pesquisas de meses anteriores, para o empate técnico e, agora na Quaest, o empate matemático exato.
Consequências e leitura do cenário
Um cenário de segundo turno tecnicamente empatado a menos de um mês da votação tende a intensificar a disputa nas últimas semanas de campanha: mais tempo de TV e rádio proporcional à votação de cada partido, debates entre os presidenciáveis e a disputa pelo chamado “terço” de eleitores ainda indecisos ou de candidatos menores tendem a pesar mais nesse cenário do que em uma corrida com vantagem consolidada de um lado. Para o mercado financeiro e para empresas que monitoram o humor eleitoral — como já vinha ocorrendo em análises de casas de research ao longo do ano —, a paridade nas pesquisas tende a ser lida como fator de maior volatilidade em ativos sensíveis a risco político nas próximas semanas, embora isso seja uma inferência de mercado e não um dado captado diretamente pelas pesquisas eleitorais citadas aqui.
Do ponto de vista partidário, o estreitamento também recoloca em xeque as chances de candidatos de terceira via, como Augusto Cury (Avante), que oscila entre 6% e 10% dependendo do instituto e da pesquisa, sem conseguir, até o momento, romper a polarização entre PT e PL nos cenários de segundo turno simulados.
Perspectivas até o primeiro turno
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro e o eventual segundo turno para 25 de outubro, a expectativa é de que novas rodadas de pesquisa Datafolha, Quaest e outros institutos sejam divulgadas nas próximas semanas, incluindo possivelmente após os primeiros debates oficiais entre os presidenciáveis. Os institutos também devem testar com mais frequência cenários sem Pablo Marçal, cuja candidatura vinha oscilando entre 1% e 2% nas pesquisas mais recentes. Até o fechamento desta matéria, nenhuma das fontes consultadas trazia declaração direta de porta-vozes das campanhas de Lula ou Flávio Bolsonaro sobre os números desta rodada específica de pesquisas — qualquer leitura sobre o impacto político imediato do empate técnico é, portanto, análise do cenário eleitoral e não posicionamento oficial dos candidatos.
Fontes e referências
Genial/Quaest, pesquisa de 3 a 6 de setembro de 2026, divulgada por Gazeta do Povo em 7/09/2026 (autores: Gustavo Ribeiro e Fábio Galão) e por JOTA em matéria sobre o mesmo levantamento.

