O setor de serviços no Brasil encerrou julho de 2026 com estabilidade frente a junho, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada pelo IBGE em 10 de setembro. O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado financeiro, que, segundo levantamento da Projeções Broadcast, esperava uma alta de 0,2% no período. No acumulado do ano, o setor de serviços avança 1,9%, e no acumulado em 12 meses a alta é de 2,4% — uma desaceleração de 0,2 ponto percentual frente à taxa observada até junho (2,6%), sinal de que o ritmo de expansão do setor vem perdendo força ao longo do ano.
Desempenho por atividade
A pesquisa do IBGE, que cobre 17 unidades da federação e 166 atividades de serviços, mostrou que quatro das cinco grandes áreas pesquisadas tiveram crescimento em julho na comparação com junho: serviços profissionais e administrativos avançaram 0,6%, outros serviços cresceram 0,7%, serviços prestados às famílias subiram 0,5%, e transportes, armazenagem e correio tiveram alta de 0,4%. Na contramão, os serviços de informação e comunicação — que incluem atividades de internet e tecnologia da informação — recuaram 2,5% no mês, puxando o índice geral para a estabilidade.
Turismo em expansão, mas ainda abaixo do pico
Um destaque positivo veio do índice de atividades turísticas (Iatur), que teve expansão de 2,7% em julho na comparação com junho, embora o acumulado em 12 meses do indicador mostre alta mais discreta, de 0,6%. Colocando o resultado em perspectiva histórica, o nível de atividade turística em julho estava 9,4% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda 3,8% abaixo do pico histórico, registrado em dezembro de 2024 — um sinal de que o setor de turismo, apesar da recuperação consistente, ainda não retomou seu melhor momento.
Por que o resultado frustrou o mercado
A estabilidade do setor de serviços em julho, abaixo da expectativa de alta de 0,2%, reforça um cenário de moderação da atividade econômica brasileira em meio à política monetária ainda restritiva. Com a Selic em 14% ao ano e o Banco Central avaliando um novo corte na reunião do Copom de 15 e 16 de setembro, o custo do crédito segue elevado para empresas do setor de serviços, que respondem por parcela relevante do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e do emprego formal no país. A desaceleração no ritmo de 12 meses (de 2,6% para 2,4%) é um indicador acompanhado de perto por analistas como um termômetro antecipado do fôlego da economia nos meses seguintes.
Consequências para empresas e consumidores
Para empresas do setor de serviços — de escritórios de profissionais liberais a empresas de tecnologia e transporte —, a estabilidade da atividade em julho é um sinal de que a demanda não está em expansão firme, o que tende a limitar a capacidade de repasse de custos e pressionar margens em um ambiente de juros altos. Para o consumidor, o resultado é ambíguo: uma atividade de serviços mais fraca pode conter pressões inflacionárias pelo lado da demanda, mas também é reflexo de um poder de compra ainda pressionado pelo custo do crédito e pelos juros elevados sobre financiamentos e parcelamentos.
Relação com o Brasil
O setor de serviços é hoje o maior componente do PIB brasileiro, e sua trajetória de desaceleração ao longo de 2026 — de um ritmo de 2,6% para 2,4% em 12 meses — ajuda a explicar por que as projeções de crescimento do PIB nacional para o ano seguem moderadas, em torno de 1,9% a 2%, mesmo com o bom desempenho pontual de outros setores, como o de exportações de commodities.
Relação com Pernambuco e Paraíba
Como a pesquisa do IBGE cobre as 17 principais unidades da federação em termos de atividade de serviços, o desempenho de Pernambuco e Paraíba tende a acompanhar, em linhas gerais, a tendência nacional de moderação — ainda que a Paraíba venha registrando, em levantamentos específicos do setor, um ritmo de crescimento de serviços mais forte que a média do país (a economia paraibana como um todo é projetada para crescer 4,4% em 2026, mais que o dobro da média nacional). É uma leitura de contexto, não um dado direto da PMS por estado, que soma indícios de que economias regionais menores podem estar navegando o cenário de juros altos de forma mais resiliente que a média nacional.
Perspectivas
Os próximos meses serão decisivos para confirmar se a estabilidade de julho é um ponto fora da curva ou o início de uma desaceleração mais consistente do setor de serviços. A decisão do Copom sobre a Selic, na semana que vem, e o ritmo dos cortes de juros ao longo do restante do ano devem ser fatores determinantes para a recuperação — ou não — do fôlego do setor até o fim de 2026.
Fontes
Agência Brasil, “Setor de serviços fica estável em julho e sobe 2,4% em 12 meses” (10/9/2026); IBGE, Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).

