Estudantes e recém-formados em medicina de todo o Brasil fazem neste sábado, 12 de setembro de 2026, o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, o Enamed. A prova é aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia ligada ao Ministério da Educação, das 13h30 às 18h30 (horário de Brasília), com portões fechando às 13h.
O que é o Enamed
O Enamed é a modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) aplicada exclusivamente aos cursos de medicina. Ele reúne, em um só instrumento, duas funções: avaliar a qualidade da formação médica oferecida pelas faculdades — como o Enade já faz com outros cursos — e servir de porta de entrada para a residência médica. A prova tem 100 questões objetivas de múltipla escolha, com quatro alternativas cada, baseadas nas Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de medicina e nas competências do Sistema Único de Saúde (SUS).
Quem é obrigado a fazer
A participação é obrigatória para os concluintes de medicina inscritos pelos coordenadores de curso e, a partir desta edição, também para estudantes do 4º ano, para fins avaliativos e pedagógicos. Médicos já formados podem fazer a prova de forma voluntária, em geral com o objetivo de disputar uma vaga de residência. Estudantes do 4º ano, no entanto, não podem usar a nota para o Enare ou outros processos seletivos.
A ligação com a residência médica
Para as especialidades de acesso direto — aquelas que o médico pode cursar logo após a graduação, sem pré-requisito —, a classificação no Exame Nacional de Residência (Enare) passa a usar a nota do Enamed. O Enare 2026/2027 tem mais de 240 instituições participantes e suas provas também ocorrem em 13 de setembro, em 60 cidades brasileiras. Na edição anterior, o Enare registrou mais de 138 mil inscritos disputando cerca de 12 mil vagas em 225 instituições — números que dão a dimensão da concorrência. A nota do Enamed tem validade de três anos.
Histórico
A primeira edição, o Enamed 2025, avaliou 39.258 concluintes de 351 cursos de medicina em todo o país. A criação do exame faz parte de um movimento do Ministério da Educação para padronizar a avaliação da formação médica num momento de forte expansão do número de faculdades de medicina no Brasil, e para unificar em uma prova nacional o que antes era feito por dezenas de processos seletivos de residência espalhados pelas instituições. Para a edição 2026/2027, o Inep manteve o total de 60 cidades-sede, com a entrada de municípios como Catalão (GO), Sinop (MT), Divinópolis (MG) e Cachoeiro de Itapemirim (ES), e a saída de Ilhéus (BA), Juazeiro do Norte (CE), Volta Redonda (RJ) e Bauru (SP).
Relação com a Paraíba e Pernambuco
Os dois estados concentram um número grande de cursos de medicina, entre instituições públicas — como a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Universidade de Pernambuco (UPE) — e faculdades privadas que se multiplicaram na última década em cidades como João Pessoa, Campina Grande, Recife, Caruaru e Petrolina. Para esses formandos, o Enamed é etapa obrigatória, e o desempenho na prova define as chances de conseguir vaga nos programas de residência dos hospitais-escola da região, como o Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa, e os complexos hospitalares do Recife. João Pessoa, Campina Grande e Recife estão entre as cidades de aplicação.
Perspectivas
Como a nota do Enamed passou a ter peso decisivo no acesso à residência, a tendência é que a prova ganhe centralidade no calendário do estudante de medicina, com efeito sobre cursinhos preparatórios e sobre a própria organização do internato nas faculdades. Entidades médicas acompanham de perto a consolidação do modelo, que ainda está em ajuste entre as edições. O resultado individual e os indicadores por curso costumam ser divulgados pelo Inep nos meses seguintes à aplicação.
Fontes
Inep/MEC, edital do Enamed 2026 e páginas oficiais do exame (gov.br/inep);

