Araruna, município de pouco mais de 20 mil habitantes no Curimataú paraibano, a cerca de 165 km de João Pessoa, vem se organizando para transformar seu principal ativo natural — a Pedra da Boca — em um polo de turismo de natureza reconhecido no roteiro das serras da Paraíba. A aposta combina investimento público no Parque Estadual da Pedra da Boca, criação de uma rede de hospedagem e gastronomia e um calendário de eventos culturais.
O parque estadual e o investimento
O Parque Estadual da Pedra da Boca, administrado pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), órgão do Governo da Paraíba, protege um conjunto de formações rochosas que inclui a própria Pedra da Boca — um paredão de granito de cerca de 336 metros de altura, procurado por praticantes de escalada e rapel —, além de cavernas, pinturas rupestres e um santuário religioso que recebe romeiros.
Está em execução um complexo administrativo e de recepção de visitantes, orçado em mais de R$ 14,3 milhões, com recursos de um Termo de Compromisso de Compensação Ambiental. O projeto prevê recepção unificada, auditório, um Centro Científico e Cultural, camping estruturado para cerca de 30 barracas e área para motorhomes, além de sinalização e cercamento do parque. A ordem de serviço para a construção da sede foi assinada pela Sudema em 2025, e o órgão vem discutindo um Plano de Uso Público (PUP) para ordenar a visitação, dentro da iniciativa estadual PARAIBE-SE, que busca integrar turismo e desenvolvimento sustentável.
Hospedagem, gastronomia e acesso
Segundo a Secretaria de Turismo de Araruna, a cidade já conta com mais de 30 meios de hospedagem e algo entre 700 e 750 leitos, com previsão de ampliação até o fim do ano, além de mais de 70 bares, restaurantes e bistrôs — parte deles concentrada em uma Vila Gastronômica no centro. O município também negocia melhorias no Aeródromo José Maranhão, com estudos de viabilidade para aviação particular e, eventualmente, comercial; segundo a prefeitura, o equipamento já foi visitado por representantes da Azul Linhas Aéreas e está em tratativas com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para homologação.
O peso dos eventos
O Festival de Inverno das Serras, em sua 2ª edição, levou a ocupação hoteleira de Araruna a níveis próximos de 100% durante o evento, segundo o setor local, com aumento do interesse de pequenos empresários em comercializar produtos e serviços ligados ao turismo. O município também explora atrativos como o Cânion de Macapá, um desfiladeiro percorrido por uma trilha de cerca de 6 km, e o Mercado Cultural, construído em 1909 e tombado em 1999 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep).
Quem visita e de onde vem
O público de Araruna é majoritariamente regional: turistas da própria Paraíba, do Rio Grande do Norte e de Pernambuco, atraídos pelo clima mais ameno das serras e pelo turismo de aventura. Isso aproxima a cidade de um circuito que já inclui destinos como Areia e Bananeiras, no Brejo paraibano, e reforça a lógica de roteiro integrado — o visitante costuma combinar mais de um município na mesma viagem.
Declarações
O secretário de Turismo de Araruna e presidente do Fórum de Turismo do Curimataú, Ricardo Câmara, tem apresentado a estratégia da cidade em encontros do setor, defendendo que a estruturação do parque estadual e a profissionalização da rede de serviços são condição para transformar a visitação espontânea em turismo com gasto e permanência maiores. Pesquisas locais com moradores e empresários ouviram cerca de 120 pessoas em 2025 e por volta de 200 em 2026.
O contraponto
A sazonalidade é o principal desafio: o pico de visitação se concentra no inverno e nos festivais, e a receita fora desses períodos depende da consolidação de roteiros permanentes. Há ainda questões de infraestrutura de acesso — estradas e sinalização — e o cuidado com a capacidade de carga de áreas sensíveis do parque, como as trilhas e os sítios com pinturas rupestres, que exigem manejo para não se degradarem com o aumento do fluxo.
Perspectivas
Com as obras do parque em andamento e o calendário de eventos se firmando, Araruna tenta se posicionar como porta de entrada do turismo de serra no Curimataú. O teste será manter ocupação e movimento no comércio ao longo de todo o ano, e não apenas nas semanas de festival — o mesmo dilema enfrentado por outros destinos de interior do Nordeste.
Fontes: Turismo em Foco (“Araruna (PB) consolida turismo com investimentos públicos, privados e eventos culturais”, 2 de setembro de 2026).

