O turismo internacional no Brasil vive o seu melhor momento na série histórica, e o Nordeste é o epicentro desse crescimento. Entre janeiro e abril de 2026, o país recebeu 4.333.423 visitantes estrangeiros, um aumento de 48% em relação ao mesmo período de 2024, de acordo com dados da Embratur e do Ministério do Turismo. No primeiro trimestre, enquanto a média nacional avançou cerca de 19%, a Região Nordeste cresceu mais de 66%, o maior ritmo entre as regiões.
Cinco estados nordestinos entre os dez que mais cresceram
Bahia, Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Maranhão estão entre os dez estados brasileiros com maior crescimento na entrada de turistas internacionais em 2026. Em termos proporcionais, a Paraíba apresentou o salto mais expressivo do país: passou de 96 chegadas internacionais no quadrimestre de 2025 para 836 em 2026, alta de 770,8% — ainda sobre uma base muito pequena. Pernambuco subiu de 31.590 para 65.005 visitantes (+105,8%); Alagoas, de 8.847 para 18.473 (+108,8%); a Bahia, líder regional em número absoluto, recebeu cerca de 95,4 mil turistas estrangeiros no período (+13,7%).
Os principais mercados emissores para o Nordeste no período foram Argentina (cerca de 96,9 mil visitantes), Portugal (24,3 mil), Uruguai, França e Itália. A recuperação da economia argentina e a proximidade cultural ajudam a explicar o peso do país vizinho na estatística.
O motor é a conexão aérea
O avanço está diretamente ligado à ampliação das rotas aéreas internacionais. O Nordeste passou de 18 ligações aéreas com o exterior em 2023 para 42 em 2026 — um crescimento de mais de 130%. Para o ano, estavam programados cerca de 5.390 voos internacionais e uma oferta superior a 1,18 milhão de assentos para a região. A malha doméstica também foi reforçada: na alta estação de inverno de 2026, a oferta de assentos da Azul Viagens para João Pessoa cresceu cerca de 18% a 20% em relação a 2025, e o estado ganhou novos voos e destinos diretos nas últimas temporadas, fruto de articulação do governo estadual com companhias e operadoras.
Contexto: o recorde de 2026
A Embratur projeta que 2026 será o primeiro ano em que o Brasil ultrapassará a marca de 10 milhões de turistas internacionais em um único ano. Em 2025, o país já havia batido recorde, com 9,3 milhões de visitantes estrangeiros e cerca de US$ 7,9 bilhões em receitas cambiais do turismo. Política de vistos, campanhas de promoção no exterior, câmbio favorável ao visitante e aumento de rotas aéreas são apontados como fatores por trás da curva de crescimento.
Consequências para empresas e consumidores
Para a cadeia de turismo — hotéis, pousadas, bares, restaurantes, receptivos, transporte e comércio —, o turista estrangeiro tende a ter permanência média maior e gasto diário mais alto do que o doméstico, e ajuda a preencher a baixa estação, quando a demanda nacional cai. O crescimento também pressiona por qualificação em idiomas, meios de pagamento internacionais e sinalização turística. Para o consumidor local, o efeito colateral possível é pressão de preços em diárias e passagens nos períodos de pico.
Relação com o Brasil
O turismo receptivo internacional é uma fonte de divisas que não depende de exportação de mercadoria e distribui renda de forma capilar, chegando a pequenos negócios. A diversificação para além do eixo Rio–São Paulo–Foz do Iguaçu, com o Nordeste ganhando participação, é vista como um sinal de amadurecimento do setor.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
Pernambuco tem hoje uma base internacional consolidada, ancorada em Recife, Porto de Galinhas e Fernando de Noronha, e voos diretos para Europa e América do Sul a partir do Aeroporto do Recife. A Paraíba parte de um patamar muito baixo — 836 chegadas internacionais no quadrimestre é um número pequeno diante do potencial de João Pessoa, com as praias de Tambaú, Cabo Branco e do Bessa, e do roteiro do Litoral Sul —, mas isso significa espaço amplo de crescimento se o estado conseguir atrair voos internacionais regulares para o Aeroporto Castro Pinto e integrar o seu roteiro ao de Pernambuco e do Rio Grande do Norte. A inferência é direta: enquanto não houver conexão aérea internacional própria, boa parte do turista estrangeiro que visita a Paraíba seguirá entrando pelo Recife ou por Natal.
Perspectivas
A tendência de crescimento deve se manter enquanto a oferta de rotas aéreas continuar subindo e o câmbio seguir favorável ao visitante estrangeiro. O desafio para Paraíba e Pernambuco é converter o fluxo em receita distribuída pelo ano inteiro, com produtos de turismo de experiência, eventos, náutica, gastronomia e cultura, e não apenas sol e praia na alta estação.
Fontes: Embratur (“Nordeste afirma protagonismo com cinco estados entre os 10 que mais cresceram na entrada de turistas internacionais em 2026”, 21/05/2026).

