A quantidade de água do rio São Francisco que chega à Paraíba pela transposição deve dobrar até o fim de agosto de 2026, de acordo com engenheiros da estação de bombeamento EBV-4, que receberam diretores da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa) em visita técnica no dia 15 de agosto. Segundo os técnicos, o reforço depende da entrada em operação de uma segunda bomba na estação — a primeira já funciona, e a outra estava em ajuste para começar a operar em seguida. Na manhã de 16 de agosto, a vazão registrada no Portal das Águas, em Monteiro, no Cariri paraibano, era de 3,78 metros cúbicos por segundo.
Por onde a água entra e para onde vai
A água da transposição entra na Paraíba pelo município de Monteiro e segue por Camaláu até o açude Epítácio Pessoa, o Boqueirão, principal reservatório de abastecimento da região da Borborema. De lá, desce para o açude de Acauã e para o canal Acauã-Araçagi, que leva o recurso em direção ao Litoral e ao Agreste paraibanos. O Boqueirão abastece Campina Grande e mais 18 municípios e chegou a operar em colapso durante a longa seca da década passada, quando a chegada das águas do São Francisco, em 2017, foi decisiva para reverter o rodizío na segunda maior cidade do estado.
Além da vazão: as obras em curso
O aumento imediato da vazão está ligado à operação das bombas do Eixo Leste, que atende a Paraíba. Em paralelo, o governo federal executa a ampliação da capacidade de bombeamento do Eixo Norte da transposição — obra do Novo PAC, orçada em cerca de R$ 491 milhões, que prevê dobrar a vazão desse trecho, de 24 para cerca de 50 metros cúbicos por segundo, com novos conjuntos de bombas de grande porte cuja instalação está prevista de forma escalonada a partir de 2027. O Eixo Norte reforça o abastecimento de Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco.
No plano estadual, a Paraíba constrói o Sistema Adutor Transparaíba — Ramal Curimataú, orçado em R$ 342 milhões, que capta água da transposição armazenada no Boqueirão e a distribui para a região do Curimataú e do Seridó paraibano. A primeira etapa, já em operação em parte do traçado, beneficia mais de 100 mil habitantes em cidades como Boqueirão, Boa Vista, Soledade, São Vicente do Seridó, Cubati, Sossego, Baraúna, Picuí e Frei Martinho — esta última passou a receber água da transposição em julho de 2026. A segunda etapa prevê 182 quilômetros de adutoras e sete estações de bombeamento, alcançando outros dez municípios e cerca de 108 mil pessoas. Concluído, o sistema deve atender 19 municípios e quase 200 mil habitantes.
Declarações e gestão
A visita foi conduzida pela direção da Aesa, órgão vinculado ao governo estadual, hoje sob o comando do governador Lucas Ribeiro (Progressistas), que assumiu em abril de 2026 após a renúncia de João Azevêdo para disputar o Senado. A primeira etapa do Ramal Curimataú foi entregue em Sossego no fim de maio. O detalhamento técnico sobre o cronograma das bombas e a vazão esperada foi atribuído pelos presentes aos engenheiros das estações do Projeto de Integração do São Francisco.
Consequências para a população e para os negócios
Mais água bruta chegando de forma regular significa mais segurança hídrica para o abastecimento urbano do Cariri, do Seridó, da Borborema e, no médio prazo, do Agreste e do Litoral. Para a economia, a previsibilidade da oferta de água é condição para a indústria — da lavanderia e do beneficiamento têxtil de Campina Grande à agroindústria e à pecuária leiteira do Cariri —, para a construção civil e para o setor de serviços. Municípios que hoje dependem de carros-pipa em parte do ano passam a ter perspectiva de rede regular, o que reduz custo público e destrava novos investimentos privados.
Relação com o Brasil
A transposição do São Francisco é a maior obra de infraestrutura hídrica do país e atende hoje milhões de pessoas no Nordeste setentrional. A ampliação do bombeamento e a construção de ramais estaduais como o Curimataú fazem parte de um esforço federal e estadual para transformar a água bruta que chega aos eixos em água tratada na torneira — etapa que historicamente ficou atrasada em relação à obra principal.
Perspectivas
Se a segunda bomba da EBV-4 entrar em operação no prazo indicado pelos engenheiros, a Paraíba encerra agosto recebendo o dobro da vazão atual, com efeito sobre o nível do Boqueirão e dos demais reservatórios do trajeto. O ganho estrutural, porém, depende do avanço das obras de ampliação do Eixo Norte, previstas para 2027, e da conclusão das etapas do Ramal Curimataú. A gestão da demanda — combate a perdas, uso racional na irrigação e cadastro de usuários — segue tão decisiva quanto o volume que entra pelo canal.
Fontes: Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa) — “Aesa visita obras da transposição e engenheiros informam que vazão do São Francisco deve dobrar”, agosto de 2026.

