A construção civil da Paraíba movimentou R$ 5 bilhões em incorporações, obras e serviços em 2024 — a primeira vez que o setor no estado cruza essa marca. O número consta da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC) do IBGE, referente a 2024 e divulgada em junho de 2026, e representa alta de 16% sobre os R$ 4,31 bilhões apurados em 2023.
O que a pesquisa mostra
O levantamento do IBGE ouve empresas formalmente constituídas e detalha para onde foi o dinheiro. As obras de edificações — prédios residenciais e comerciais — concentraram R$ 2,9 bilhões, ou 58,2% do valor total. As obras de infraestrutura (estradas, saneamento, redes de energia, pontes) somaram R$ 1,5 bilhão, 30,1% do total. Os serviços especializados para construção, como fundações, instalações e acabamento, ficaram com R$ 590 milhões, 11,7%.
O emprego formal acompanhou o crescimento do faturamento. O pessoal ocupado nas empresas do setor passou de 27,6 mil pessoas em 2023 para 35,4 mil em 2024, avanço de 28,3% — cerca de 7,8 mil vagas com carteira assinada abertas em um único ano. Os salários e demais remunerações pagos pelo setor no estado somaram R$ 902,8 milhões. O número de empresas de construção com cinco ou mais pessoas ocupadas subiu de 831 para 1.080, um salto de aproximadamente 30%.
Peso na região
Apesar do recorde, a Paraíba segue como um mercado pequeno na comparação nacional. O estado responde por 6,1% do valor da construção civil do Nordeste e está entre os oito menores volumes do país. O resultado, portanto, diz mais sobre o ritmo de crescimento do que sobre o tamanho absoluto do setor paraibano.
Declarações
Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon-JP), o número confirma a atratividade do estado. “Alcançar os R$ 5 bilhões em valor de obras demonstra a capacidade do setor de atrair investimentos”, afirmou, em declaração reproduzida pela imprensa local ao comentar a pesquisa.
Empresários do ramo, porém, veem a expansão com cautela. Um sócio da Eco Construtora resumiu o momento ao portal Paraíba Total: “Um mercado grande atrai novos entrantes, mas, com o tempo, acaba havendo uma seleção natural.” A leitura é que a entrada de novas construtoras tende a se ajustar conforme a demanda e o custo do crédito.
O emprego não parou em 2024
Dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicam que o setor manteve saldo positivo ao longo de 2026. Em janeiro de 2026, a construção civil abriu vagas em todos os nove estados do Nordeste, com a Paraíba somando 816 postos e Pernambuco liderando a região, com mais de 3 mil admissões líquidas no mês. Em junho de 2026, a construção paraibana gerou 427 novas vagas formais, contribuindo para um saldo estadual de 2,3 mil empregos com carteira assinada naquele mês.
O que muda para empresas e consumidores da Paraíba e de Pernambuco
Para quem trabalha ou fornece para a cadeia da construção — do lojista de material de obra ao prestador de serviço de instalação —, a expansão do valor movimentado e do número de empresas estruturadas amplia o mercado potencial, sobretudo em João Pessoa, Campina Grande e no Litoral. Ao mesmo tempo, a fala sobre “seleção natural” sinaliza que a concorrência entre construtoras deve se acirrar, pressionando margens e prazos.
Para o consumidor, mais empresas ativas e mais lançamentos tendem a ampliar a oferta de imóveis, especialmente na faixa financiada. O efeito sobre preço, no entanto, depende de fatores que a pesquisa não mede: custo dos insumos, taxa de juros e disponibilidade de mão de obra qualificada — gargalo apontado repetidamente por entidades do setor. Em Pernambuco, o quadro de crescimento do emprego na construção é ainda mais forte em números absolutos, puxado por obras de infraestrutura e pelo Complexo de Suape, o que aquece a disputa regional por profissionais como pedreiros, eletricistas e encanadores e pode elevar o custo da folha também para as empresas paraibanas que atuam perto da divisa.
Perspectivas
O setor entra no segundo semestre de 2026 com a expectativa, manifestada por representantes da indústria, de manter a trajetória de alta vista em 2024 e 2025. Os pontos de atenção para os próximos trimestres são o custo do financiamento imobiliário num ambiente de juros ainda elevados, a evolução do preço dos materiais e a capacidade de formar mão de obra no ritmo da demanda.
Fontes
- IBGE — Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC) 2024, divulgada em junho de 2026, via Paraíba Total (“Construção civil alcança marca de R$ 5 bilhões em obras na Paraíba, aponta IBGE”, 17/06/2026) e A União.
- Ministério do Trabalho e Emprego — Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), dados de janeiro e junho de 2026, via Movimento Econômico e Lázaro Farias.
- Sinduscon-JP — declaração de seu presidente reproduzida pela imprensa local.

