O tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, com uma sobretaxa adicional
de 25% em vigor desde quarta-feira, 22 de julho de 2026, coloca em risco
R$ 380 milhões em exportações de Pernambuco — o equivalente a
60% de tudo o que o estado vende aos Estados Unidos. Somada a uma taxa anterior já em vigor,
a tarifa total sobre alguns produtos pernambucanos pode chegar a 37,5%. O estado exportou ao
todo US$ 125 milhões aos EUA em 2025, base sobre a qual incide agora o novo tarifaço.
O setor mais exposto é o sucroalcooleiro: Pernambuco embarcou 155 mil toneladas
de açúcar para os Estados Unidos — menos de 4% da produção total do Nordeste, mas um volume
suficiente para gerar perdas diretas estimadas entre R$ 180 milhões e R$ 200 milhões para as
usinas do estado, segundo o Sindaçúcar-PE. Mais de 22 mil fornecedores de pequeno e médio
porte da cadeia da cana-de-açúcar podem ser afetados pela retração nas exportações.
Uvas do Vale do São Francisco e plástico PET de Suape também sob pressão
Além do açúcar, o tarifaço também atinge as uvas do Vale do São Francisco — cujo colapso
nas exportações para os EUA já havia sido registrado por este Radar em reportagem anterior — e as
chapas de plástico PET produzidas no polo industrial de Suape. Do lado
positivo, produtos como querosene de aviação, pescado, manga fresca e coque de petróleo seguem isentos da
sobretaxa, o que preserva parte da pauta exportadora pernambucana.
Segundo Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar-PE, e Maurício Laranjeira,
gerente de política industrial da Fiepe, o setor produtivo já articula medidas para amenizar o impacto,
incluindo linhas de crédito emergenciais, renegociação de dívidas tributárias e negociação diplomática direta
com os Estados Unidos — um conjunto de respostas que reflete a urgência do problema para regiões que dependem
fortemente do mercado americano, como a Zona da Mata pernambucana, onde o emprego na cadeia da cana está sob
risco direto.
O que isso significa para Pernambuco e para a Paraíba
Para Pernambuco, o tarifaço reforça a necessidade de diversificação de mercados para setores tradicionais
como o sucroalcooleiro e a fruticultura, num momento em que o estado também vem registrando avanços em
exportações para outros destinos, como mostrado em reportagens recentes deste Radar sobre o crescimento das
exportações de carne bovina para Ásia e América do Sul.
Para a Paraíba, que tem pauta exportadora distinta mas também sensível a tarifas americanas — como já
mostrado em coberturas anteriores sobre o impacto desigual do tarifaço entre estados brasileiros —, o caso
pernambucano reforça o risco concentrado em setores tradicionais de exportação e a importância de políticas de
apoio à diversificação de mercados para produtores nordestinos expostos ao mercado americano.
Fontes
Diário de Pernambuco — Tarifaço coloca em risco quase R$ 380 milhões das exportações pernambucanas.

