As dez maiores redes de supermercado da Paraíba somaram R$ 3,3 bilhões em
faturamento em 2025, segundo levantamento do setor, num mercado que segue resistindo à entrada de gigantes
nacionais e mantém as redes locais na liderança das vendas. A líder isolada é a BeMais
Supermercados, operada pela Gomes Paixão & Cia, com faturamento de R$ 860 milhões em
2025 — o suficiente para ocupar a 104ª posição no ranking nacional de supermercados e a 13ª no Nordeste.
A trajetória da BeMais ilustra o tipo de crescimento orgânico comum entre as redes regionais nordestinas:
fundada em 1994 pelos irmãos Raílton e Ronaldo Cardoso da Costa como uma pequena mercearia
de bairro voltada à população trabalhadora de João Pessoa, a rede permaneceu concentrada na capital
paraibana por três décadas, abrindo sua primeira loja fora de João Pessoa apenas em 2024, em Guarabira. Hoje
soma 13 lojas e cerca de 2 mil empregados diretos, com os fundadores ainda
à frente da gestão como sócios-diretores.
Mercado pulverizado, sem operador dominante
Logo atrás da BeMais aparecem outras redes paraibanas de peso: a Farias Supermercados,
com R$ 601 milhões em faturamento, a Rede Paraíba de Supermercados, com R$ 539 milhões, e a
Rede Menor Preço, com R$ 501 milhões. A concorrência também já sente a chegada de novos
entrantes, como a SuperFácil, que ingressou no mercado paraibano em 2021, e o
Grupo Mateus, rede maranhense em expansão acelerada pelo Nordeste.
O que chama atenção no caso paraibano é justamente a ausência de um operador dominante único — um
contraste direto com Pernambuco e Ceará, onde o mercado de supermercados é mais concentrado em poucas
grandes redes regionais. Essa pulverização é associada por analistas do setor a um perfil de consumidor
paraibano mais conservador, com maior fidelidade a marcas e estabelecimentos já conhecidos, o que dificulta a
tomada rápida de mercado por redes de fora do estado.
O que isso significa para a Paraíba e para Pernambuco
Para a Paraíba, a resiliência das redes locais de supermercado frente a concorrentes nacionais reforça a
capacidade de empresas familiares paraibanas de competir e crescer de forma sustentada mesmo diante da
entrada de grupos maiores e mais capitalizados, mantendo empregos e capital circulando dentro do próprio
estado.
Para Pernambuco, cujo mercado de varejo alimentar já é mais concentrado e vem registrando forte crescimento
no comércio varejista em 2026, o caso paraibano oferece um contraponto interessante sobre como a estrutura de
mercado — pulverizada de um lado, concentrada de outro — pode conviver com desempenhos igualmente positivos
em estados vizinhos, refletindo diferenças estruturais na formação histórica do varejo de cada estado
nordestino.
Fontes
Exame — Como uma mercearia se tornou o maior supermercado da Paraíba e fatura R$ 860 milhões.

