As duas maiores economias do mundo deram mais um passo para aliviar a guerra comercial. China e Estados Unidos concordaram em reduzir tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias negociadas entre os dois países, informou o representante comercial dos EUA (USTR), Jamieson Greer, segundo a Agência Brasil. Pelo acordo, cada lado indicou US$ 30 bilhões em produtos considerados não sensíveis para receber tratamento tarifário mais favorável.
Os entendimentos saíram da cúpula entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump, realizada em Washington na semana passada.
O que muda de cada lado
A China vai reduzir tarifas sobre produtos agrícolas americanos como milho, trigo, sorgo, carnes, laticínios e óleos vegetais — com uma exclusão que chama atenção: a soja ficou fora da lista. Pequim também vai baixar alíquotas de frutos do mar, produtos de madeira, cosméticos e dispositivos médicos vindos dos EUA.
Os Estados Unidos, por sua vez, vão cortar tarifas sobre pequenos eletrodomésticos, louças, cobertores, roupas de cama, brinquedos, flores artificiais, enfeites de fim de ano e cadeirinhas infantis para carros fabricados na China.
Trégua prorrogada e outros compromissos
Os dois países também estenderam por dois meses a trégua comercial, agora válida até 10 de janeiro de 2027, para avaliar os acordos em andamento e discutir questões econômicas pendentes. Segundo a Agência Brasil, o pacote inclui ainda:
- a criação de um grupo de trabalho sobre agricultura, que deve se reunir antes do fim do ano;
- o compromisso da China de importar 10 milhões de toneladas métricas de carvão americano por ano em 2027 e 2028;
- canais de comunicação entre os governos sobre incidentes envolvendo inteligência artificial;
- discussões para ampliar os voos diretos entre os dois países.
Por que isso importa
Qualquer movimento entre Washington e Pequim mexe com preços, rotas de comércio e cadeias de fornecimento no mundo todo. A redução de tarifas sobre bens de consumo chineses pode aliviar preços para o consumidor americano em itens do dia a dia, justamente na aproximação das compras de fim de ano. Do lado chinês, a abertura a grãos e carnes dos EUA sinaliza disposição de reequilibrar a balança comercial.
E o Brasil?
O Brasil é grande fornecedor de alimentos para a China e compete diretamente com os Estados Unidos em produtos como milho, carnes e soja. A exclusão da soja da lista chinesa preserva, por ora, o espaço conquistado pelo grão brasileiro durante a disputa entre as duas potências. Já a redução de tarifas chinesas sobre milho e carnes americanas pode aumentar a concorrência para exportadores brasileiros desses produtos — é uma inferência de mercado, e o efeito concreto dependerá das alíquotas finais e dos volumes efetivamente comprados. O tema deve ser acompanhado de perto pelo agronegócio, inclusive pelos exportadores de carnes do Nordeste.
Fontes
Agência Brasil — “China e EUA concordam em reduzir tarifas sobre US$ 60 bi em mercadorias” (28/09/2026), com informações do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

