Pernambuco registrou, no acumulado de janeiro a julho de 2026, o maior crescimento do comércio varejista entre os 27 estados brasileiros, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira, 15 de setembro. Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume de vendas do varejo restrito cresceu 10,4% no estado, enquanto o varejo ampliado — que inclui outros segmentos além dos considerados no indicador restrito, como veículos e material de construção — avançou 9,2%. Os dois resultados colocaram Pernambuco na liderança nacional, muito à frente das médias do país: 1,8% no varejo restrito e 1,9% no ampliado.
Supermercados puxam a alta
Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (SDEC), o setor de supermercados e produtos alimentícios foi o principal responsável pelo resultado, respondendo por aproximadamente 6 pontos percentuais dos 9,2% de crescimento do varejo ampliado no acumulado do ano. O segmento de veículos, motocicletas, partes e peças vem em seguida, com contribuição de cerca de 2,6 pontos percentuais — uma distância que mostra o peso desproporcional do varejo alimentar na expansão pernambucana em 2026.
Um resultado com oscilação recente
Apesar da liderança no acumulado do ano, o desempenho mensal mostrou sinais de acomodação: na comparação de julho de 2026 com julho de 2025, o varejo restrito cresceu 7,1% (segundo colocado nacional, atrás apenas do Espírito Santo, com 8,5%) e o ampliado avançou 6,1% (atrás de Mato Grosso do Sul, com 10,9%, e do Distrito Federal, com 7,5%). Já na comparação mês a mês — de junho para julho de 2026 — Pernambuco registrou retração de 1,5% no varejo restrito e de 1,8% no ampliado, mostrando que o resultado forte do acumulado convive com oscilações de curto prazo típicas do varejo.
Por que isso importa para o comércio da região
Um crescimento de dois dígitos no varejo restrito ao longo de sete meses consecutivos é um indicador direto de aquecimento do consumo das famílias — o que se traduz, na prática, em mais movimento nos supermercados, maior giro de estoque e, potencialmente, mais contratações no setor varejista pernambucano. Para redes de supermercado e comerciantes de alimentos da região, o resultado reforça uma tendência que já vinha sendo sentida no dia a dia das lojas: aumento de ticket médio e de frequência de compra, num cenário de inflação de alimentos mais controlada em 2026 do que em anos anteriores.
Relação com o Brasil
O desempenho pernambucano destoa da média nacional por uma margem expressiva — quase seis vezes a taxa média do país no varejo restrito acumulado. Esse tipo de descolamento regional costuma refletir uma combinação de fatores locais: programas estaduais de estímulo ao consumo, comportamento do mercado de trabalho formal (que também tem se destacado em Pernambuco, como mostra o crescimento de empregos em tecnologia no Recife) e a base de comparação de 2025. Para o varejo nacional como um todo, o resultado pernambucano funciona como um contraponto positivo num cenário de crescimento mais modesto na média dos estados.
Relação com a Paraíba
A força do varejo pernambucano tem efeito indireto sobre o comércio paraibano, sobretudo em cidades fronteiriças e na região metropolitana de João Pessoa, que disputam consumidores com o Grande Recife. Redes de varejo alimentar que atuam nos dois estados — caso do Grupo Mateus, que este ano unificou a marca de suas lojas de atacarejo em Pernambuco, Paraíba e Alagoas sob a bandeira Novo Atacarejo — tendem a se beneficiar do momento aquecido em Pernambuco também nas operações paraibanas. Na Paraíba, o maior player do varejo alimentar é o BeMais Supermercados, que faturou R$ 860 milhões em 2025 segundo o Ranking ABRAS 2026 — um porte que mostra como o setor supermercadista já é um dos pilares econômicos mais relevantes do estado, ainda que sem o mesmo ritmo de expansão registrado em Pernambuco neste ano.
Perspectivas
O ponto de atenção para os próximos meses é se Pernambuco consegue sustentar o ritmo de crescimento do varejo diante da leve retração mês a mês observada em julho, ou se o resultado do acumulado do ano já representa o pico do ciclo de expansão em 2026. Para supermercados e comerciantes de alimentos da região, o desempenho mais recente do IBGE ainda é motivo de otimismo, mas reforça a necessidade de acompanhar de perto os próximos indicadores mensais.
Fontes
- CBN Recife — Pernambuco lidera expansão do comércio varejista no Brasil (16/09/2026)
- Diario de Pernambuco — Pernambuco lidera alta do comércio varejista em 2026 no país, aponta IBGE
- Portal de Prefeitura — Pernambuco lidera crescimento do comércio no Brasil no acumulado do ano, aponta IBGE
- Exame — Como uma mercearia se tornou o maior supermercado da Paraíba e fatura R$ 860 milhões
- ndmais — Após demitir 6,6 mil e fechar 28 lojas, Grupo Mateus muda nome de lojas em três estados do Brasil

