Sumé, no Cariri paraibano, vive desde o dia 8 de setembro sua sexta edição da Mostra Sumé de Cinema, que se estende até este sábado, 12 de setembro. Em cinco dias de programação, o evento ocupa diferentes espaços da cidade — de escolas, praças e o museu local até ambientes não convencionais para o cinema, como o Hospital e Maternidade Alice de Almeida e o Abrigo de Idosos Rosália Paulino, levando exibições e atividades culturais diretamente a públicos que dificilmente frequentariam uma sala de cinema tradicional.
Programação de peso para hoje
Nesta sexta-feira, 11 de setembro, às 9h, a Câmara Municipal de Sumé recebe o debate “Cinemas de Rua — dos fragmentos de uma história que nos atravessa ao resgate de um patrimônio cultural e do direito à cultura”, um dos pontos altos da programação da mostra. O debate discute a memória de salas de cinema de rua — modelo praticamente extinto nas cidades do interior nordestino, substituído por multiplexes em shoppings — e o direito de acesso à cultura fora dos grandes centros.
O que mais compõe a mostra
Ao longo dos cinco dias, a programação reúne oficina de formação audiovisual, minicurso de atuação, mostras itinerantes, mostras competitivas nas categorias Paraíba, Brasil e Cariri, além do projeto de literatura Céu de Poesia, com lançamentos de livros, apresentações culturais, passeios turísticos e exposição artística — culminando em premiação e shows de encerramento.
Homenagem e resgate de memória
Um dos eixos centrais desta edição é o resgate da memória do cinema local: a mostra presta homenagem à atriz Titina Medeiros e exibe o documentário “Memórias – Histórias do Cine Teatro Municipal de Sumé”, dirigido por Ana Célia Gomes, que reconstrói a trajetória do antigo cinema de rua da cidade — o mesmo tipo de espaço que o debate desta sexta-feira discute em termos mais amplos de patrimônio e política cultural.
A programação também inclui a apresentação do resultado da Oficina de Formação Audiovisual realizada durante a mostra, dando aos participantes locais a chance de mostrar publicamente o que produziram ao longo do processo formativo — um formato que reforça o caráter de formação de plateia e de novos realizadores, e não apenas de exibição de filmes prontos.
Por que uma mostra de cinema de cidade pequena importa
Sumé não é um polo cinematográfico tradicional, mas a mostra, já na sexta edição, consolida um calendário cultural que movimenta a cidade e a região do Cariri paraibano durante cinco dias — com efeito direto sobre comércio local, rede hoteleira e de alimentação, além do impacto simbólico de posicionar o município no roteiro cultural do estado, ao lado de eventos maiores realizados em João Pessoa e Campina Grande.
Cultura como economia local
Para o pequeno comércio de Sumé — pousadas, restaurantes, bares e ambulantes —, cinco dias de programação cultural concentrada funcionam como um pico de demanda parecido com o de festas tradicionais do calendário junino ou religioso, ainda que em escala mais modesta. A presença de atividades em espaços como hospital e abrigo de idosos também sinaliza uma estratégia deliberada de descentralizar o acesso à cultura dentro do próprio município, levando a programação a quem normalmente não se desloca até os locais tradicionais de exibição.
O que ainda não está confirmado
O material disponível sobre a mostra não detalha valores de patrocínio ou apoio institucional ao evento, nem números de público esperado ou registrado nas edições anteriores — dados que ajudariam a dimensionar o alcance real da iniciativa ao longo de seus seis anos de existência.
Fontes: Vitrine do Cariri e Cariri Ligado, com programação oficial da VI Mostra Sumé de Cinema (8 a 12 de setembro de 2026).

