A Paraíba passou a última semana com um raro protagonista no radar do empreendedorismo local: negócios nascidos dentro de favelas e comunidades periféricas. Entre os dias 4 e 6 de setembro, a Usina Cultural Energisa, em João Pessoa, recebeu a Expo Favela Paraíba 2026, evento organizado pela Central Única das Favelas da Paraíba (Cufa-PB) em parceria com a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties).
Ao todo, 20 empreendimentos foram selecionados para receber aporte financeiro direto. Os cinco primeiros colocados na avaliação da mostra ficaram com R$ 50 mil cada, enquanto os outros 15 receberam R$ 40 mil — uma injeção somada de R$ 900 mil em negócios que, em geral, funcionam sem acesso a crédito bancário tradicional ou a programas convencionais de fomento.
Da moda à joalheria: os negócios por trás dos números
Entre os projetos contemplados está a Casa Baixa Costura, de Doroty Ruanne, ateliê de costura voltado ao atendimento de mulheres trans e travestis, oferecendo peças e um espaço de acolhimento pensado especificamente para esse público. Outra selecionada foi Damares Silva, à frente da Taipa Biju, que pretende usar o recurso para equipar um ateliê próprio de bijuterias e ampliar a produção.
Além do dinheiro, todos os empreendedores selecionados passam a contar com trilha de capacitação e suporte técnico oferecido pelo Parque Tecnológico Horizontes de Inovação, ligado à Secties — um desenho que tenta resolver um problema recorrente de editais de fomento: o de entregar o recurso e deixar o empreendedor sozinho depois.
O que autoridades dizem sobre o programa
Para o secretário Claudio Furtado, à frente da Secties, o mérito do programa está em ampliar o próprio conceito de inovação — tirando-o do universo estritamente tecnológico e de startups de garagem e reconhecendo como inovação também a reinvenção de negócios tradicionais (costura, bijuteria, alimentação) dentro do contexto de comunidades com pouco acesso a capital.
Próximo destino: São Paulo
Os cinco negócios mais bem avaliados na etapa paraibana — os que receberam o aporte de R$ 50 mil — vão representar o estado na Expo Favela Nacional, em São Paulo, evento de maior porte que reúne selecionados de todo o país e funciona como vitrine para investidores, compradores institucionais e outras redes de fomento a negócios periféricos.
Impacto para o ecossistema de negócios da Paraíba
Para o empresariado e para quem acompanha o ecossistema de empreendedorismo na Paraíba, a Expo Favela cumpre um papel que normalmente fica fora do radar de eventos tradicionais de inovação e negócios: o de formalizar e capitalizar empreendimentos que já existem informalmente dentro de comunidades, mas raramente aparecem em rodadas de investimento, editais de inovação ou linhas de crédito de bancos de fomento como o próprio Sebrae ou o Banco do Nordeste.
O modelo de dois níveis de premiação (R$ 50 mil para os cinco primeiros, R$ 40 mil para os demais 15) também sinaliza uma tentativa de equilíbrio: reconhecer os projetos mais maduros sem excluir do aporte financeiro os demais participantes selecionados — o que amplia o alcance direto do programa para 20 negócios em vez de concentrar o recurso em poucos vencedores.
O que ainda não está claro
O material disponível sobre o evento não detalha a fonte orçamentária exata do aporte de R$ 900 mil, nem se o programa já tem edição confirmada para 2027. É algo que vale acompanhar — assim como os resultados dos cinco representantes paraibanos na etapa nacional, em São Paulo, cuja data ainda não foi divulgada publicamente.
Fontes: Cufa-PB e Secties (Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior da Paraíba), via Repórter PB.

