O desfile cívico-militar de 7 de Setembro, que marcou os 204 anos da Independência do Brasil, foi realizado nesta segunda-feira na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama Janja da Silva. A cerimônia reuniu ainda os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, e 29 ministros de Estado.
Os três eixos do evento
O governo federal organizou o desfile em torno de três lemas: “Soberania, a força que une o Brasil”; “Brasil unido pela proteção de meninas e mulheres”; e “Copa do Mundo Feminina 2027 é no Brasil!”. Além das tropas das Forças Armadas e das forças de segurança, o desfile teve blocos temáticos sobre esses assuntos. O Brasil será o primeiro país sul-americano a sediar uma Copa do Mundo feminina de futebol, prevista para o segundo semestre de 2027.
Contexto político
A defesa da soberania nacional virou uma das principais bandeiras do discurso do governo em 2026 e deve marcar a disputa eleitoral. O desfile ocorreu a menos de um mês do primeiro turno das eleições gerais, marcado para 4 de outubro, quando serão escolhidos presidente, governadores, senadores e deputados. Em 2025, o mesmo evento já havia tido tom mais político do que o habitual. Movimentos sociais realizaram, na mesma data, a tradicional manifestação do “Grito dos Excluídos”, neste ano centrada em moradia e combate à violência; grupos de oposição também convocaram atos em capitais.
Custos
Segundo levantamento a partir de dados do governo, o desfile de Brasília custou R$ 5,74 milhões aos cofres públicos, valor 33% superior ao gasto em 2025. A cifra inclui estrutura, arquibancadas, som, segurança e logística das delegações.
O que isso significa para o cidadão e para as empresas
O 7 de Setembro é feriado nacional, o que na prática reduziu a atividade em indústria, comércio de rua e serviços públicos. Neste ano a data caiu numa segunda-feira, formando um feriado prolongado de três dias — configuração que costuma favorecer turismo, hotelaria, bares e restaurantes nos destinos de lazer, ao mesmo tempo em que esvazia o comércio dos grandes centros e para boa parte da indústria.
No plano econômico mais amplo, o tema da soberania tem sido usado pelo governo em debates sobre política comercial, tarifas e regulação de plataformas digitais estrangeiras — assuntos que afetam diretamente importadores, exportadores e empresas de tecnologia. O calendário eleitoral também costuma trazer volatilidade a câmbio e juros nas semanas seguintes, o que os empresários acompanham para decisões de investimento e de estoque.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
O presidente da Câmara, Hugo Motta, é paraibano, de Patos, o que dá ao estado um protagonismo incomum no cenário nacional neste ciclo. Na Paraíba e em Pernambuco, os desfiles ocorreram em João Pessoa, Campina Grande, Recife e outras cidades, com forte presença de escolas e forças de segurança. A Copa Feminina de 2027 é acompanhada com interesse pelo Nordeste: Recife e outras capitais da região disputam vaga como cidades-sede, o que envolveria investimento em estádios, hotelaria e mobilidade.
Perspectivas
Com a eleição em outubro, a expectativa é de que o discurso de soberania siga no centro do debate público. Para a economia, o que importa nas próximas semanas é menos o desfile e mais os sinais sobre política fiscal, câmbio e a definição das cidades-sede da Copa Feminina, que pode destravar obras em várias regiões do país.
Fontes: Agência Brasil (“Confira a agenda dos presidenciáveis nesta segunda-feira (7)”, 09/2026).

