Depois de mais de uma década fora do circuito de cruzeiros, a Paraíba trabalha para consolidar o retorno do turismo marítimo. O Porto de Cabedelo, no Litoral Norte do estado, espera receber em dezembro de 2026 um navio de cruzeiro com cerca de 500 passageiros. A escala acontece na sequência da temporada passada, quando a atracação do navio Swan Hellenic encerrou um hiato de escalas turísticas que perdurava desde a temporada 2013/2014.
A obra que muda o patamar do porto
O passo mais estruturante é uma intervenção na bacia de evolução — a área de água que os navios usam para manobrar e girar. Segundo a Companhia Docas da Paraíba, a obra, com início previsto para meados de outubro, vai ampliar o raio da bacia de 330 para 450 metros, o que permitirá a entrada de embarcações de até 330 metros de comprimento. Hoje, o terminal atende navios turísticos de até 220 metros e cargueiros de até 55 mil toneladas.
“São mais de R$ 300 milhões em melhorias nos últimos anos”, afirmou o diretor-presidente da Companhia Docas da Paraíba, Raniere Barbosa, ao tratar do conjunto de investimentos no porto. Além do turismo, a ampliação da bacia é voltada para a operação de carga: o porto, que hoje movimenta majoritariamente importações, projeta passar de 9 a 13 navios por mês para 25 a 30 atracações, com a entrada de rotas de cabotagem de contêineres.
O contexto nacional é favorável
A temporada brasileira de cruzeiros 2026/2027, que vai de novembro de 2026 a abril de 2027, será a maior dos últimos anos. Segundo dados do setor, serão oito navios das principais armadoras operando na costa do país, com um total de 831.254 leitos ofertados — alta de 24% sobre a temporada anterior, depois de dois anos de retração. O crescimento da oferta abre espaço para que portos fora do eixo tradicional (Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Recife) disputem escalas.
O que uma escala de cruzeiro representa para a região
Cada navio que atraca em Cabedelo desembarca centenas de passageiros por algumas horas, com efeito concentrado sobre serviços de turismo: passeios ao Centro Histórico de João Pessoa, ao Jardim Botânico, às praias do Litoral Sul e a pontos como a Estação Cabo Branco, além de compras de artesanato, gastronomia e transporte. É um turismo de gasto médio e permanência curta, mas que ajuda a diversificar a economia do turismo paraibano, hoje muito dependente do hóspede de hotel na alta temporada de verão e nos feriados prolongados.
Para Cabedelo especificamente, a movimentação de cruzeiros dá visibilidade a uma cidade que costuma ser vista apenas como área portuária e industrial, e cria incentivo para qualificar a orla, a sinalização turística e a recepção de visitantes no cais.
Comparação com Pernambuco
Pernambuco é a referência de cruzeiros no Nordeste: o Porto do Recife recebe dezenas de escalas por temporada e tem estrutura de terminal de passageiros consolidada, com Porto de Galinhas e o Centro histórico do Recife como principais atrativos dos roteiros de terra. A Paraíba parte de uma base muito menor, mas a proximidade geográfica joga a favor — navios que já escalam no Recife podem incluir Cabedelo no mesmo itinerário sem grande desvio de rota, o que torna a meta paraibana mais realista do que se o estado tivesse de atrair navios isoladamente.
Perspectivas
A consolidação de Cabedelo como porto de cruzeiros depende de a obra na bacia de evolução sair no prazo, de as armadoras confirmarem e repetirem escalas em temporadas seguidas, e de a cadeia local de receptivo, transporte e comércio estar preparada para absorver os desembarques. A escala de dezembro e a temporada 2026/2027 serão o primeiro teste concreto desse plano.
Fontes: Companhia Docas da Paraíba (declarações de Raniere Barbosa, diretor-presidente).

