A Paraíba registrou 14.147 novos pequenos negócios no primeiro bimestre de 2026, segundo levantamento do Sebrae a partir de dados da Receita Federal. O número corresponde a cerca de 97% das aproximadamente 14,5 mil empresas de todos os portes abertas no estado no período e ficou praticamente estável em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando haviam sido criados 14.123 pequenos negócios.
Quem está abrindo empresa na Paraíba
O perfil dessas aberturas confirma uma tendência que se consolidou na última década: a esmagadora maioria entra pela porta do microempreendedor individual (MEI). Entre os pequenos negócios abertos no estado no início do ano, cerca de 81% eram MEIs, pouco menos de 16% microempresas e apenas 2,6% empresas de pequeno porte. É um retrato de formalização de atividades que antes viviam na informalidade — cabeleireiros, prestadores de serviço, pequenos comerciantes, motoristas de aplicativo, profissionais autônomos — mais do que de novos empreendimentos com estrutura e empregados.
O quadro nacional
No Brasil, o Sebrae contabilizou 3,6 milhões de pequenos negócios abertos nos sete primeiros meses de 2026, crescimento de aproximadamente 14% sobre o mesmo período de 2025 e o quarto mês consecutivo de alta. Micro e pequenas empresas, somadas aos MEIs, responderam por 96,7% de todos os CNPJs abertos no país no período. A abertura de MEIs cresceu cerca de 14,5% e a de micro e pequenas empresas, 11%.
Por setor, os serviços concentraram a maior parte dos registros de julho (cerca de 65%, ou 308 mil novos negócios), seguidos pelo comércio (20%, 96 mil) e pela indústria (8%, 37 mil). “Nosso desafio é trabalhar para que o ambiente de negócios se torne cada vez mais favorável” e assegurar condições para o crescimento dessas empresas, afirmou Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, ao comentar os dados.
Por que a formalização acelerou
O avanço da abertura de empresas acompanha um mercado de trabalho aquecido e uma economia que, embora em desaceleração no segundo trimestre, ainda cresce. Parte do movimento é de trabalhadores que combinam emprego com carteira e um CNPJ próprio como renda complementar; parte é de profissionais que foram desligados e passaram a atuar como prestadores de serviço formalizados. A simplicidade e o custo baixo do registro de MEI — feito pela internet, sem burocracia e com carga tributária fixa mensal — também explicam o volume.
O outro lado: negócios que nascem frágeis
O dado positivo do volume convive com uma fragilidade estrutural conhecida. Negócios que nascem como MEI costumam ter faturamento baixo, pouca reserva de capital e dependência direta da renda de um único dono. Num ambiente de juro básico ainda elevado — a Selic segue em patamar de dois dígitos — e crédito caro, o capital de giro fica mais difícil e mais oneroso, e a taxa de mortalidade nos primeiros anos de vida tende a subir. Para o Sebrae, o desafio não é apenas estimular a abertura, mas dar sustentação (capacitação em gestão, acesso a crédito orientado, digitalização) para que esses negócios sobrevivam e cresçam.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
Para a Paraíba, o efeito mais concreto aparece nas economias urbanas de João Pessoa, Campina Grande, Patos e Sousa, onde os serviços puxam tanto a geração de emprego formal quanto a abertura de MEIs. Em municípios menores do Sertão e do Cariri, a formalização costuma estar ligada a atividades rurais, artesanato e comércio de bairro. Em Pernambuco, o movimento é semelhante e de escala maior, com forte concentração na Região Metropolitana do Recife, em Caruaru e em Petrolina — é uma inferência sobre o padrão regional, já que o balanço citado detalha os números da Paraíba, não os de Pernambuco. Nos dois estados, a rede de pequenos negócios formalizados é hoje o principal vetor de ocupação e de renda, e sua saúde financeira depende de crédito, consumo das famílias e da própria continuidade do ciclo de emprego.
Perspectivas
A expectativa do Sebrae é que a abertura de pequenos negócios feche 2026 novamente em alta. O que está em jogo no médio prazo não é o número de CNPJs criados, e sim quantos deles vão passar dos primeiros anos: isso vai depender da trajetória dos juros, da oferta de linhas de crédito adequadas ao porte, do comportamento do consumo no segundo semestre e da capacidade das políticas de apoio de chegar a quem abriu a empresa mas não tem estrutura de gestão.
Fontes: Sebrae (levantamento “Abertura de Pequenos Negócios no Brasil”, com base em dados da Receita Federal; declarações de Rodrigo Soares, presidente do Sebrae); Sebrae Paraíba (dados estaduais do primeiro bimestre de 2026).

