O Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto, em Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa, fechou o primeiro semestre de 2026 com 480.236 passageiros embarcados e desembarcados entre janeiro e junho. Todos os meses do semestre registraram aumento de fluxo em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Aena Brasil, concessionária espanhola que administra o terminal.
Em junho de 2026, o aeroporto recebeu 164.875 passageiros, alta de 11,9% sobre junho do ano anterior — desempenho superior ao dos aeroportos de Recife, Maceió e Aracaju no mesmo mês. Em 2025, o Castro Pinto já havia crescido 17,7%, a maior expansão entre os seis aeroportos que a Aena opera no Nordeste (os outros são Recife, Maceió, Aracaju, Juazeiro do Norte e Campina Grande).
Contexto regional
O avanço de João Pessoa acompanha um ciclo de recordes na aviação nordestina. Os aeroportos da região somaram mais de 12,5 milhões de passageiros nos sete primeiros meses de 2026, volume 7,7% maior que o do mesmo período de 2025, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O mercado internacional puxou o crescimento: foram 611,2 mil passageiros em voos para o exterior entre janeiro e julho, contra 482,4 mil um ano antes — alta de 26,7%.
As obras em andamento
O Castro Pinto entrou em 2026 em uma nova fase de ampliação. A principal intervenção é a instalação de uma terceira ponte de embarque (o “finger” que liga o terminal à aeronave). Cada ponte tem capacidade para processar cerca de 600 mil passageiros por ano, o que amplia de forma relevante a capacidade do terminal em horários de pico. Há ainda projetos de salas VIP, hotel e hangares no entorno do sítio aeroportuário.
O plano dos voos internacionais
A Aena trabalha junto à Anac para elevar a classificação operacional do aeroporto, de modo a permitir a operação de aeronaves de maior porte, como o Airbus A330. Esse é o passo técnico necessário para viabilizar voos de longa distância — e o objetivo declarado é conectar a Paraíba diretamente a destinos como os Estados Unidos, hoje acessíveis apenas com conexão em Recife, Natal, Fortaleza ou no Sudeste.
Declarações e histórico
A Aena assumiu o Castro Pinto em 2020, no segundo bloco de concessões de aeroportos da rede federal, e desde então investe em reforma de pista, pátio e terminal de passageiros. A gestão tem associado o crescimento de João Pessoa ao aquecimento do turismo no litoral paraibano e à ampliação da malha aérea doméstica, com mais frequências e novas rotas ligando a capital a São Paulo, ao Rio de Janeiro, a Brasília e a cidades do Nordeste.
Consequências para a economia local
Mais assentos e, eventualmente, voos internacionais diretos significam mais turistas, mais viagens de negócios e mais carga aérea passando por João Pessoa. Para a rede hoteleira, para o setor de eventos e para o comércio e serviços da capital, o aeroporto funciona como porta de entrada — e sua capacidade é um teto para o crescimento do turismo receptivo. A ligação direta com os Estados Unidos, se confirmada, também abriria caminho para exportação de produtos perecíveis de maior valor por via aérea.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
O tema é essencialmente paraibano, mas tem leitura regional. Recife concentra hoje o principal hub aéreo do Nordeste Oriental, e parte do fluxo de paraibanos ainda embarca pelo Aeroporto do Recife/Guararapes por causa da oferta de rotas. Se o Castro Pinto ganhar voos internacionais próprios, a Paraíba reduz essa dependência e passa a competir por um pedaço do turismo estrangeiro que hoje entra pelo aeroporto pernambucano — uma disputa que tende a beneficiar o passageiro dos dois estados, com mais opções e melhores preços.
Perspectivas
A confirmação de rotas internacionais depende da conclusão das obras, da reclassificação junto à Anac e do interesse comercial das companhias aéreas. No curto prazo, a expectativa da Aena é manter a curva de crescimento de dois dígitos no fluxo doméstico e ampliar a conectividade da capital paraibana ao longo de 2026 e 2027.
Fontes
- Paraíba Business — “Aeroporto de João Pessoa terá terceira ponte de embarque e atrai projetos de salas VIP, hotel e hangares”.

