Um incêndio de grandes proporções atingiu na tarde desta quinta-feira, 27 de agosto de 2026, o Centro Comercial de Passagem (CCP), localizado às margens do Parque Sólon de Lucena, a Lagoa, no centro de João Pessoa. As chamas começaram no início da tarde e só foram controladas pelo Corpo de Bombeiros por volta das 18h15; um novo foco reacendeu por volta das 19h20 e também precisou ser combatido.
Sete pessoas foram atendidas por inalação de fumaça — quatro pelo Corpo de Bombeiros e três pelo Samu. Uma delas foi levada a uma unidade de saúde e as demais foram liberadas no local, sem queimaduras ou casos graves registrados. Sete viaturas do Corpo de Bombeiros foram deslocadas para o combate.
O que foi destruído
Segundo o Corpo de Bombeiros, ao menos três boxes foram danificados e serão isolados. O calor e a fumaça comprometeram outras partes da estrutura. A corporação apura a origem exata do fogo; relatos não confirmados oficialmente apontam para uma loja de celulares como possível ponto de início. Comerciantes ouvidos pela imprensa local disseram que os extintores funcionaram, mas que os hidrantes do prédio não teriam funcionado — ponto que entra na investigação.
A Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb) da Prefeitura de João Pessoa informou que aguarda o laudo da perícia para avaliar as condições da estrutura e decidir quando o centro poderá reabrir. Uma reunião com os comerciantes estava prevista para avaliar os danos. Até a publicação desta matéria, o prejuízo não havia sido quantificado, mas lojistas relataram perda total de estoques.
Um endereço tradicional do comércio popular
Inaugurado em 2006, o Centro Comercial de Passagem reúne 297 pontos comerciais e é um dos principais endereços do comércio popular de João Pessoa, concentrando lojas de vestuário, acessórios, perfumaria, eletrônicos, papelaria e serviços. Fica em uma das áreas de maior circulação de pedestres da cidade, no entorno da Lagoa e do terminal de integração, e atende sobretudo consumidores de menor renda e trabalhadores do centro.
O fechamento por tempo indeterminado interrompe a única fonte de renda de centenas de famílias às vésperas de setembro, mês em que o comércio costuma começar a se preparar para as vendas de fim de ano. Muitos desses lojistas são microempreendedores individuais (MEIs) ou informais, com pouca reserva de capital de giro e sem seguro contra incêndio — o que torna a retomada especialmente difícil.
Impacto econômico local
Para o comércio de João Pessoa, o episódio traz três efeitos imediatos. O primeiro é a perda de faturamento direta dos 297 pontos enquanto durar a interdição. O segundo é o risco de que parte dos clientes migre em definitivo para outros polos de comércio popular da cidade ou para o comércio eletrônico, sem retornar depois da reabertura. O terceiro é a pressão sobre a Prefeitura e os órgãos de fiscalização para revisar as condições de segurança de galerias e centros comerciais antigos, o que pode gerar exigências de adequação — e custos — para outros empreendimentos do tipo.
Entidades do comércio, como a CDL João Pessoa e o Sebrae-PB, costumam acionar linhas de crédito emergencial e orientação para casos assim; até esta publicação não havia anúncio formal de medidas de apoio. A depender do laudo, a reabertura pode levar de semanas a meses se houver necessidade de obras estruturais.
O que acompanhar
Os próximos passos são o laudo da perícia sobre a origem do fogo e sobre a segurança da estrutura, a eventual apuração de responsabilidade pela manutenção do sistema de combate a incêndio, e as medidas de apoio aos comerciantes. O caso serve de alerta para a rede de galerias e mercados públicos da Paraíba, muitos deles com instalações elétricas e sistemas de prevenção defasados.

