A Prefeitura de Campina Grande confirmou, em 24 de agosto, o balanço econômico da edição 2026 de O Maior São João do Mundo: a festa movimentou R$ 803.164.032,38 na cidade, montante 8,12% maior que o registrado em 2025. Os números vêm de compilação feita pelo Instituto 6Sigma a partir de pesquisa de campo e de dados da Secretaria de Estado da Fazenda da Paraíba (Sefaz-PB). A festa deste ano ocorreu ao longo de 33 dias, entre 3 de junho e 5 de julho.
Público recorde no Parque do Povo
Ao todo, 3.450.689 pessoas circularam pelo Parque do Povo, polo principal do evento — número quase 7% superior ao da edição anterior. Segundo a pesquisa do 6Sigma, a aprovação geral do público ao São João foi de 93%. A decoração da cidade foi aprovada por cerca de 80% dos entrevistados; o acesso ao evento, por 86%; e a limpeza do Parque do Povo, por 91%. O projeto Recicla São João, da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, coletou cerca de 78,5 toneladas de resíduos durante a festa.
Turistas e excursionistas
O evento recebeu 81.154 turistas e 287.542 excursionistas. O impacto econômico dos dois grupos somou aproximadamente R$ 242,5 milhões: os turistas deixaram cerca de R$ 179 milhões na cidade, e os excursionistas, cerca de R$ 63,5 milhões. A aprovação do evento entre os turistas chegou a 97,8% no geral e a 96% quando considerado apenas o Parque do Povo; 84,1% disseram pretender voltar no próximo ano, e 100% dos visitantes vindos do Centro-Oeste afirmaram recomendar o São João campinense.
Transporte e hospedagem
A Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos (STTP) registrou a circulação de cerca de 4,1 milhões de veículos, num fluxo total estimado em 12 milhões de passagens de carros, motos e outros meios de transporte pela área da festa. O movimento no Aeroporto João Suassuna foi de 18.316 passageiros, alta de 29% sobre os 14.193 de 2025. No setor hoteleiro, o Convention Bureau apontou ocupação média de 85,07% dos equipamentos durante o período. Entre os empresários ouvidos, 95% dos donos de hotel aprovaram o evento, assim como 82% dos donos de restaurante e 80% dos comerciantes.
O que a prefeitura diz
“Temos uma reafirmação do principal motor econômico da cidade. O número está dentro da nossa expectativa, chegando a superar os 8% anteriormente previstos, que nos deu mais de R$ 800 milhões girando no nosso comércio, no setor de serviços e fazendo toda uma cadeia produtiva girar”, afirmou a secretária de Desenvolvimento Econômico e Turismo (SEDE) de Campina Grande, Tâmela Fama, pasta que faz a gestão da festa. Segundo ela, o resultado “traz a responsabilidade de seguir trabalhando e defendendo essa marca”.
Contexto: o São João como indústria
O ciclo junino de Campina Grande é tratado há anos pela gestão municipal como o principal evento econômico do calendário local, com efeito sobre hospedagem, alimentação, transporte, comércio, cultura e artesanato. A festa combina programação no Parque do Povo, polos descentralizados nos bairros e no distrito de São José da Mata, e uma estrutura que emprega temporariamente milhares de pessoas — de montagem e segurança a barraqueiros, ambulantes e artistas. O crescimento de 8,12% na movimentação econômica, acima da inflação do período, indica que a festa continua ampliando a base de negócios que dela dependem.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
O resultado reforça o peso do turismo de eventos na economia do interior nordestino e a complementaridade entre os dois grandes polos paraibanos: João Pessoa, no litoral, com demanda concentrada em veraneio e feriados; e Campina Grande, no Agreste, com o pico no São João. O circuito junino que liga o Agreste da Paraíba ao de Pernambuco — com Caruaru como outro grande polo — move estradas, rodoviárias e a rede hoteleira das duas regiões no mesmo mês de junho, e disputa o mesmo público nacional. Para a rede de serviços de Campina Grande, o desafio apontado pelo próprio setor é transformar o pico de junho em fluxo turístico distribuído pelo restante do ano.
Perspectivas
Com o balanço de 2026 fechado, a prefeitura já projeta a edição de 2027. A manutenção do crescimento dependerá de infraestrutura, capacidade hoteleira e da atração de público de fora do estado — hoje ainda minoritário frente ao visitante paraibano e ao excursionista de bate-volta, que responde por parcela menor do gasto por pessoa.
Fontes
Prefeitura de Campina Grande (Codecom PMCG), balanço divulgado em 24/08/2026, com base em pesquisa do Instituto 6Sigma e dados da Sefaz-PB.

