Mirela Veríssimo afirma que foi procurada para uma parceria e só descobriu depois que a suspeita não tinha formação médica; outras pacientes também denunciaram complicações
A influenciadora Mirela Veríssimo está entre as pacientes que realizaram procedimentos de harmonização de glúteos com a mulher presa em João Pessoa, suspeita de se apresentar como médica sem possuir habilitação para exercer a profissão. O caso veio à tona após denúncias de pacientes que relataram complicações provocadas pelas aplicações.
Segundo Mirela, ela foi procurada pela suspeita para realizar o procedimento como parte de uma parceria de divulgação. A proposta seria uma harmonização de glúteos com reposição de colágeno. Durante e depois do procedimento, no entanto, a influenciadora relatou ter passado por situações que despertaram preocupação.
Ela afirmou que, nos primeiros dias, apresentou inchaço e hematomas na região. Depois, quando o processo inflamatório diminuiu, percebeu que o volume esperado não havia sido alcançado e que o resultado teria sido pior do que antes.
“Nos três primeiros dias estava aquele processo inflamatório, estava inchado. Passando de 4 para 5 dias, você já conseguia ver que estava sumindo aquela questão de volume.”
Mirela também contou que não tinha conhecimento de que a mulher não era médica e afirmou que confiou nas informações apresentadas durante o atendimento. Segundo ela, os produtos utilizados não eram mostrados de maneira clara.
“Na primeira vez que eu indaguei sobre o que estava injetando, ela me mostrou uma ampola (…) daí eu dei as costas e confiei.”
A influenciadora registrou um boletim de ocorrência.
Suspeita nega que tenha se apresentado como médica
A mulher presa foi identificada como Isabela de Melo Dantas. Nas redes sociais, ela se apresentava como “Doutora Isabela Dantas” e divulgava-se como especialista em harmonização glútea e corporal.
Após ser presa em flagrante enquanto atendia outra paciente no bairro do Bessa, em João Pessoa, Isabela negou à TV Cabo Branco que tenha afirmado ser médica.
Segundo ela, sua atuação seria como esteticista e estudante de Biomedicina. A suspeita também afirmou que trabalhava com procedimentos e produtos da área estética.
Até a última atualização da reportagem do g1, a defesa de Isabela não havia sido localizada.
Outras pacientes relatam complicações
Além do relato de Mirela, outras mulheres denunciaram procedimentos realizados pela suspeita. Segundo os relatos reunidos na investigação, algumas pacientes teriam apresentado infecções, inchaços, hematomas e dores intensas, com pelo menos uma delas necessitando de procedimentos cirúrgicos de emergência.
Uma das denúncias aponta ainda para a utilização de silicone de material de construção em uma paciente. Em outros casos, vítimas afirmaram que teriam sido aplicados ar e soro fisiológico, apesar de terem sido informadas de que receberiam produtos como bioestimuladores e ácidos.
Uma paciente relatou ter conhecido Isabela por meio de uma transmissão nas redes sociais, na qual o procedimento era anunciado por R$ 3,5 mil. Após realizar a harmonização, afirmou ter pago R$ 5 mil e posteriormente apresentou hematomas, calor na região e chegou a desmaiar por causa da dor.
Conselho de Medicina faz alerta
Diante do caso, o Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) afirmou que procedimentos estéticos invasivos que envolvam aplicações de substâncias, implantes ou anestesia devem ser realizados por profissionais devidamente habilitados e em condições adequadas de segurança.
O órgão orientou a população a verificar a formação e a habilitação do profissional antes de realizar procedimentos dessa natureza.
A investigação deverá esclarecer a extensão dos atendimentos realizados pela suspeita, quais substâncias foram utilizadas e eventuais responsabilidades pelas complicações relatadas pelas pacientes.
Com informações do g1PB
