A Paraíba quer diversificar o que vende para o turista e reduzir a dependência do produto sol e mar. A avaliação é do secretário de Estado do Turismo e do Desenvolvimento Econômico, Vital Costa, ex-prefeito de Araruna e há cerca de dois meses no cargo, que participou de um famtour (viagem de familiarização para agentes de viagens) promovido pela operadora Visual Turismo em João Pessoa.
“Vamos buscar isso não só na capital do Estado, como também no interior. A Paraíba tem de tudo: turismo de aventura, ecoturismo, turismo religioso, rural”, afirmou o secretário, em declaração reproduzida pelo portal especializado Panrotas.
Os destinos que o estado quer promover
Entre os pontos citados como vitrine dessa estratégia de interiorização estão o Parque Estadual da Pedra da Boca, em Araruna, procurado para escalada e rapel; Cabaceiras, no Cariri, conhecida como “Roliúde Nordestina” por ter servido de cenário para filmes e novelas; e as cidades serranas de Areia e Bananeiras, no Brejo, com clima ameno, engenhos, gastronomia e circuito cultural.
A ideia é encadear esses roteiros com a porta de entrada tradicional do estado — o litoral de João Pessoa e do Conde —, ampliando o tempo de permanência e o gasto médio de quem já vem para as praias.
Os números do setor
O governo estadual trabalha com uma carteira de R$ 2,5 bilhões em investimentos privados no turismo, com potencial de gerar 14 mil leitos hoteleiros e 19 mil empregos diretos. Boa parte desse volume está concentrada no Polo Turístico Cabo Branco, em João Pessoa, área destinada a resorts e equipamentos de grande porte, onde se insere o Tauá Resort, anunciado com 250 quartos.
São cifras de perspectiva, que dependem da maturação dos projetos e do ritmo das obras — mas dão a dimensão da aposta do estado em ganhar escala como destino nos próximos anos.
Contexto regional
A Paraíba disputa mercado com vizinhos que já têm marcas turísticas consolidadas, como Pernambuco (Porto de Galinhas, Recife, Fernando de Noronha) e Rio Grande do Norte (Pipa, Natal). A estratégia de interiorização segue uma tendência nordestina: transformar atrativos naturais e culturais do sertão e do agreste em produto turístico estruturado, com sinalização, guias, hospedagem e transporte — e não apenas como passeio de fim de semana para o morador local.
O Nordeste tem puxado o crescimento do turismo doméstico brasileiro, com aumento de assentos aéreos e de desembarques na região, o que abre espaço para destinos secundários ganharem fluxo.
Relação com o Litoral Sul da Paraíba
Para o Litoral Sul — Conde, Jacumã, Coqueirinho, Tambaba, Pitimbu —, a interiorização não é concorrência, e sim complemento. O litoral seguiria como o principal chamariz e ponto de pernoite, enquanto os roteiros de Cariri e Brejo funcionariam como extensão de estadia para o turista que fica mais dias no estado. Na prática, pousadas, bugueiros, restaurantes e agências do Litoral Sul podem se beneficiar se a Paraíba conseguir aumentar o número de noites que cada visitante passa no estado — um efeito plausível, mas que depende de integração real entre os roteiros, algo que ainda está em construção.
Perspectivas
O teste da estratégia será a capacidade de o estado estruturar os destinos do interior com infraestrutura mínima e promoção continuada, além de manter o canal aberto com operadoras e agências — público-alvo dos famtours como o da Visual Turismo. O calendário de eventos, a ampliação da malha aérea e o andamento dos investimentos do Polo Cabo Branco serão os indicadores a acompanhar nos próximos meses.
Fontes
• Panrotas, “Paraíba quer interiorizar Turismo e destacar atrativos além das praias, diz secretário”, 19 de agosto de 2026: panrotas.com.br.
• Poder Paraíba, “Lucas Ribeiro reestrutura equipe do Turismo e Desenvolvimento Econômico; Vital Costa assume secretaria”: poderparaiba.com.br.

