Mônica Maria da Silva, de 36 anos, estava desaparecida há mais de um mês em Barcelona; polícia espanhola confirmou que ela foi localizada, mas ela pediu que sua localização não fosse repassada aos parentes
A família da paraibana Mônica Maria da Silva, de 36 anos, natural de Pedras de Fogo, recebeu nesta quinta-feira (27) a notícia de que ela foi encontrada pela polícia espanhola, após mais de um mês de buscas em Barcelona. Apesar do alívio inicial, os parentes seguem sem informações concretas sobre o estado de saúde da paraibana e sem contato direto com ela — o que mantém a família dividida entre o alívio e a apreensão.
O desaparecimento
Mônica mora na Espanha há dois anos. O último contato direto que manteve com a família ocorreu em 4 de julho, por meio de uma chamada de vídeo. A partir daí, os parentes perderam qualquer comunicação com ela e iniciaram buscas que se estenderam por mais de 40 dias, mobilizando o Consulado Brasileiro em Barcelona e o Itamaraty.
Durante o período de buscas, a irmã de Mônica, Cristina Silva, chegou a receber relatos de que ela vivia um relacionamento conturbado, além de fotos que indicariam agressões sofridas por ela. A situação levantou temores ainda maiores sobre o paradeiro e a segurança da paraibana.
Versões contraditórias
Ao longo das buscas, a família recebeu diferentes versões sobre a situação de Mônica repassadas pelo ex-parceiro dela. Em depoimento, Cristina relatou que ele chegou a insinuar, em momentos diferentes, que a irmã estaria presa em algum lugar ou vivendo em situação de rua, sob efeito de drogas.
Cristina também revelou que o ex-parceiro está com os medicamentos que Mônica precisa tomar regularmente, e que faz cerca de dois meses que ela não tem contato com ele. Para a família, esse é mais um ponto de preocupação: sem a medicação, segundo os parentes, Mônica não fica bem.
“Ela foi encontrada, mas não apareceu para nós”
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Cristina atualizou a situação para quem acompanhava o caso. Segundo ela, a polícia espanhola informou que Mônica havia sido vista por um policial, disse estar bem e afirmou não querer contato com a família — amparada por uma legislação espanhola que permite a uma pessoo localizada recusar o compartilhamento de sua localização, desde que seja considerada mentalmente estável pelas autoridades.
Foi justamente esse ponto que a família mais contesta. Cristina afirmou não acreditar que a irmã estivesse em condições de tomar essa decisão sozinha, e destacou que, se as autoridades espanholas avaliam que ela está bem mentalmente, a responsabilidade pela decisão recai sobre elas.
Cristina relatou ainda um desabafo durante uma ligação com uma funcionária do consulado, na qual teria sido informada de que “a pessoa tem que querer ajuda” para que intervenções sejam possíveis em casos como esse. Em resposta, ela disse ter alertado que, caso a família receba futuramente uma notícia ruim — como a de que Mônica foi encontrada em situação de rua —, as autoridades também terão responsabilidade pelo desfecho.
Dúvidas e impotência
Para Cristina, o fato de a irmã ter se comunicado com um policial, mas não com a própria família, é um dos pontos mais dolorosos da situação. Ela afirmou não acreditar que Mônica deixaria de manter contato com a própria filha, e reforçou a avaliação de que a irmã não estaria bem mentalmente — seja por falta de medicação, seja por eventual uso de substâncias, segundo ela.
A família tentou, inclusive, solicitar um advogado para obter uma prova de vida de Mônica, mas não conseguiu, já que o profissional precisaria residir na Espanha. Cristina relatou ainda que soube da notícia de que a irmã havia sido localizada logo depois de assinar a autorização para inclusão do nome de Mônica na lista de pessoas desaparecidas da Interpol.
“Eu não tenho mais o que fazer, não tenho mais a quem recorrer”, desabafou Cristina, dizendo se sentir impotente diante da falta de poder de decisão da família sobre o caso.
O que dizem as autoridades
Segundo apuração do g1 PB, a polícia espanhola confirmou, em comunicado formal enviado à família, que Mônica foi localizada na segunda-feira (24) e que ela declarou estar bem, além de não querer que sua localização fosse repassada aos parentes. A mesma informação foi passada à família pelo Consulado Brasileiro na Espanha.
Procurado pelo g1, o Itamaraty informou apenas que, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Barcelona, tem conhecimento do caso e presta a assistência consular devida.
E agora?
Apesar da confirmação de que está viva e, segundo a própria Mônica, bem, a falta de contato direto e de detalhes sobre sua condição de saúde mantém a família em situação de incerteza. Cristina afirmou que, caso a irmã decida retomar o contato, atualizará publicamente a situação — e que, até lá, a família seguirá na expectativa por notícias.

