O instituto Datafolha divulgou nesta sexta-feira (21) uma nova pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República em 2026, mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança do cenário estimulado de primeiro turno com 39% das intenções, sete pontos percentuais à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 32%. Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois, a vantagem de Lula cai para 4 pontos — 47% a 43% —, o que caracteriza um empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos da pesquisa.
Como foi feita a pesquisa
O levantamento ouviu 2.058 eleitores entre os dias 18 e 20 de agosto, a pedido do grupo Folha da Manhã (Folha de S.Paulo), Globo Comunicação, TV Globo, GloboPlay e Eletromídia, com nível de confiança de 95% e registro no TSE sob o número BR-04496/2026. O Datafolha testou três formatos: uma pergunta espontânea, sem apresentar nomes ao entrevistado, e dois cenários estimulados — um incluindo o nome de Pablo Marçal (PRTB) e outro sem ele.
Os números por cenário
Na pesquisa espontânea, Lula aparece com 32% e Flávio Bolsonaro com 19%, seguidos por Jair Bolsonaro (PL) com 3% — mesmo inelegível — e por Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), ambos com 2%. Chama atenção o alto porcentual de indecisos nesse formato, de 32%. Já nos cenários estimulados, com os nomes apresentados, Lula soma 39% tanto na versão com quanto na versão sem Pablo Marçal, contra 32% e 33% de Flávio Bolsonaro, respectivamente. Ronaldo Caiado aparece em terceiro, com 5%, seguido por Renan Santos (4%) e Romeu Zema (3%).
Segundo turno: vantagem de Lula encolhe
Nos quatro cenários de segundo turno simulados pelo Datafolha, Lula venceria qualquer um dos adversários testados, mas com margens variáveis: 47% a 43% contra Flávio Bolsonaro (tecnicamente empatado); 47% a 40% contra Ronaldo Caiado; 48% a 38% contra Romeu Zema; e 47% a 37% em um quarto cenário. A distância mais apertada é justamente contra Flávio Bolsonaro, sinalizando que ele segue como o principal adversário de Lula na disputa, à frente dos demais nomes testados.
O contexto da disputa
A pesquisa chega na primeira semana de campanha eleitoral e reflete um quadro em que o principal nome da direita nas urnas não é mais o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso cumprindo pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, decisão do Supremo Tribunal Federal, e segue inelegível. Seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, tornou-se o pré-candidato de referência do campo bolsonarista. Outro nome que chamou atenção nas últimas semanas, o influenciador Pablo Marçal, obteve uma liminar para retornar ao PRTB e formalizar candidatura, mas segue inelegível até 2032 por decisão do TRE-SP — o que explica por que o Datafolha optou por testar cenários com e sem o seu nome na lista.
Como a pesquisa se compara a outros institutos
Outros institutos divulgaram números na mesma janela de agosto com resultados na mesma direção, ainda que com margens distintas. A pesquisa BTG/Nexus, com trabalho de campo entre 14 e 16 de agosto, mostrou Lula com 41% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno, e 47% a 44% num eventual segundo turno. Já o PoderData, divulgado em 13 de agosto, apontou Lula com 41% contra 35% de Flávio no primeiro turno, com empate técnico de 46% a 45% no segundo turno. A variação entre institutos está dentro do que se espera de pesquisas com metodologias e datas de campo diferentes, mas o padrão geral — Lula à frente no primeiro turno, com vantagem menor e dentro ou próxima da margem de erro no segundo turno — se repete nos principais levantamentos do mês.
O que vem pela frente
A eleição geral está marcada para 4 de outubro, com eventual segundo turno quatro semanas depois caso nenhum candidato atinja maioria absoluta dos votos válidos já no primeiro turno. Entre agora e a votação, o calendário eleitoral prevê a formalização das candidaturas nas convenções partidárias, o início da propaganda eleitoral gratuita em rádio e TV e uma sequência de novas pesquisas de institutos como Datafolha, Quaest e Ipec, que devem se tornar mais frequentes à medida que a data se aproxima. A própria Gazeta do Povo, que reproduz os levantamentos, faz questão de lembrar que pesquisas de intenção de voto são uma fotografia de momento, não uma previsão: no pleito de 2022, por exemplo, parte dos institutos registrou diferenças relevantes entre os números projetados e o resultado final nas urnas, o que reforça a importância de olhar para a tendência de vários institutos ao longo do tempo, e não para um único levantamento isolado.
Por que isso importa para empresas e consumidores
Pesquisas eleitorais não são previsão de resultado, mas funcionam como termômetro que influencia decisões de investidores, parte do humor do mercado financeiro e o posicionamento de lideranças políticas e partidárias ao longo da campanha. Para empresários e gestores, o cenário de disputa apertada no segundo turno reforça a tendência de cautela e volatilidade nos mercados até outubro, à medida que cada nova pesquisa é incorporada às expectativas de câmbio, juros futuros e bolsa.
Fontes
Com dados do Datafolha (21/08/2026).

