A Paraíba se prepara para receber, ainda em agosto de 2026, os dois
primeiros computadores quânticos do Centro Internacional de Computação Quântica da Paraíba
(Ciquanta-PB), instalado na Estação Ciência Cabo Branco, em João Pessoa. Os equipamentos, de
20 e 100 qubits, chegam como parte de uma parceria firmada em novembro de 2025 entre o
governo do estado, o Governo Federal — por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) —, as
universidades USP, UFCG e UFPB, e o Yangtze River Delta Industrial Innovation Center for Quantum
Technology, centro chinês vinculado à China Electronics Technology Group Corporation (CETC 54).
O investimento total no centro soma R$ 200 milhões, dos quais R$ 140 milhões vêm do
governo estadual e R$ 60 milhões de recursos federais. A instalação física ocupa mais de
5.100 metros quadrados, com sistemas criogênicos e salas blindadas necessários para a
operação de computadores quânticos, cuja tecnologia exige temperaturas extremamente baixas e isolamento de
interferências eletromagnéticas para funcionar corretamente. A conclusão da instalação dos equipamentos está
prevista para outubro de 2026, com operação programada para funcionar 24 horas por dia, sete
dias por semana.
R$ 20 milhões em capacitação e 156 bolsas de residência em seis cidades
Além da infraestrutura física, o projeto inclui um programa de capacitação de R$ 20 milhões ao
longo de 36 meses, com 156 bolsas de residência distribuídas em seis cidades — um
esforço para formar mão de obra qualificada capaz de operar e pesquisar com a nova infraestrutura, já que
computação quântica é uma área com escassez global de profissionais especializados. A ministra da Ciência,
Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou o caráter estratégico do investimento: “o Centro será um
ambiente de excelência em pesquisa… estamos construindo infraestrutura científica de classe mundial”.
As áreas de pesquisa prioritárias do centro incluem inteligência artificial, saúde, cibersegurança, ciência
de materiais e fabricação de chips quânticos — um espectro amplo que posiciona o Ciquanta-PB não apenas como
um laboratório de pesquisa acadêmica, mas como uma infraestrutura estratégica com potencial de atrair parcerias
industriais e de segurança em áreas de fronteira tecnológica.
O que isso significa para a Paraíba e para Pernambuco
Para a Paraíba, sediar um dos primeiros centros de computação quântica do Brasil coloca o estado em uma
posição de destaque nacional em pesquisa de tecnologia de fronteira, reforçando o ecossistema de inovação
já em expansão no estado — que soma 418 startups ativas, segundo levantamento recente já noticiado por este
Radar — e criando uma infraestrutura capaz de atrair pesquisadores, empresas e investimentos de todo o país e
do exterior para João Pessoa.
Para Pernambuco, que mantém seu próprio polo de inovação consolidado no Porto Digital do Recife, a chegada
de um centro de computação quântica de ponta ao estado vizinho representa tanto uma oportunidade de
colaboração regional em pesquisa avançada quanto um parâmetro de comparação sobre o tipo de infraestrutura
científica estratégica que os dois estados vêm buscando atrair para consolidar o Nordeste como polo nacional
de tecnologia e inovação.
Fontes
Movimento Econômico — Paraíba quântica: parceria com China inicia nova era computacional no Brasil.

