O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, reduziu a taxa básica de juros,
a Selic, de 14,25% para 14% ao ano, um corte de 0,25 ponto percentual — o
quarto ajuste consecutivo para baixo na taxa. Apesar da sequência de cortes, o comunicado divulgado pelo
Copom veio com tom considerado mais duro pelo mercado financeiro, reforçando que a inflação segue pressionada
e que o cenário internacional permanece marcado por incertezas, incluindo conflitos no Oriente Médio e
indefinições sobre a política monetária em países desenvolvidos.
Segundo o comunicado oficial, a decisão busca “conduzir a inflação para o centro da meta”, dentro de uma
“estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, ao mesmo tempo
em que o comitê afirma perseguir a “suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do
pleno emprego”. Projeções de mercado consultadas na ocasião indicam que a Selic deve terminar 2026 em
13,75%, considerando um possível novo corte de 0,25 ponto percentual na reunião de novembro — um ritmo de
queda mais lento do que o observado nos cortes anteriores do ano.
Juros ainda em patamar elevado apesar da sequência de cortes
Mesmo com o quarto corte seguido, a Selic em 14% ao ano ainda representa um patamar historicamente
elevado, o que mantém o custo do crédito alto tanto para empresas quanto para consumidores — linhas como
capital de giro, financiamento imobiliário e crédito ao consumidor seguem com juros substancialmente acima
da média histórica. O tom mais duro do comunicado do Copom, sinalizando cautela adicional em relação ao
ritmo de novos cortes, reforça que a expectativa de alívio mais rápido no crédito, que parte do mercado
projetava para o segundo semestre de 2026, deve ser adiada.
Esse cenário de juros altos, ainda que em trajetória de queda lenta, já aparece refletido em dados
recentes de consumo e crédito na Paraíba e em Pernambuco: a Fecomércio-PE já havia projetado, em matéria
anterior deste Radar, retração de 3,6% nas vendas físicas do Dia dos Pais no estado por conta da
inadimplência e do crédito restrito — um exemplo direto de como o custo do dinheiro pressiona o consumo
regional mesmo em datas comemorativas historicamente fortes para o varejo.
O que isso significa para a Paraíba e para Pernambuco
Para Pernambuco, a manutenção de juros ainda elevados — mesmo em trajetória de queda — segue pressionando
o custo de capital de giro para empresas locais e o financiamento de bens de maior valor para consumidores,
em um momento em que o estado vem de resultados industriais positivos, como mostrado em matéria recente deste
Radar. Juros mais altos por mais tempo tendem a moderar o ritmo de novos investimentos empresariais que
dependem de crédito bancário, mesmo em setores com bom desempenho operacional.
Para a Paraíba, cujo mercado imobiliário tem mostrado forte concentração em vendas para investimento — como
mostrou o IVV divulgado nesta semana sobre o mercado de João Pessoa —, a manutenção da Selic em patamar
elevado por mais tempo tende a manter o financiamento imobiliário fora do programa Minha Casa, Minha Vida
mais caro, o que pode reforçar ainda mais a preferência observada por imóveis de menor ticket médio e por
compradores que dependem menos de financiamento bancário tradicional.
Fontes
Diario de Pernambuco — Copom reduz Selic para 14% ao ano em quarto corte consecutivo dos juros.

