O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) confirmou, por unanimidade, o afastamento imediato do juiz Milton Lívio Lemos Salles, após imagens de uma audiência virtual mostrarem o magistrado consumindo vinho e fumando durante a sessão. A gravação viralizou nas redes sociais e a audiência foi interrompida assim que o consumo da bebida foi percebido.
A medida cautelar havia sido determinada, menos de 24 horas antes, pelo corregedor-geral de Justiça de Minas Gerais, desembargador Raimundo Messias Júnior. Com o afastamento, Salles fica impedido de exercer suas funções, tem suspensas as credenciais de acesso aos sistemas do TJMG e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e está proibido de entrar em fóruns e prédios administrativos do tribunal.
O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, também determinou o afastamento cautelar do magistrado, afirmando que ele estaria “privado do domínio de si e das faculdades exigidas para o desempenho do encargo”.
Apesar do afastamento, Salles continuará recebendo seu salário — de aproximadamente R$ 83,5 mil líquidos — enquanto dura a investigação, que corre em sigilo e ainda não tem prazo definido para conclusão. Os processos sob sua relatoria serão redistribuídos, e um magistrado de primeiro grau será convocado para substituí-lo.
Não é a primeira vez que o juiz responde a um procedimento disciplinar: em 2020, ele já havia sido investigado por apresentar sinais de embriaguez ao questionar pessoalmente uma nota recebida em processo de promoção a desembargador. O caso terminou, em 2022, com aplicação de pena de advertência.

