O Nordeste soma 130 fintechs ativas distribuídas pelos nove estados da região, que juntas captaram US$ 265 milhões em investimentos ao longo de 2025, em apenas 4 rodadas. O volume representa 9,6% de todo o capital investido em fintechs no Brasil, e as empresas nordestinas respondem por 6,2% do total de fintechs do país.
O dado mais chamativo do levantamento é o ticket médio: a mediana das rodadas de investimento no Nordeste foi de US$ 50,5 milhões — 685% acima da mediana nacional, de US$ 6,4 milhões. Ou seja, poucas rodadas, mas de porte bem maior que a média do país, sugerindo que os investidores que apostam em fintechs nordestinas tendem a fazer cheques mais robustos por operação.
Pernambuco na liderança regional
Entre os estados nordestinos, Pernambuco lidera com 31 fintechs ativas, à frente do Ceará (29), da Bahia (26) e de Sergipe (8). Entre as empresas recifenses citadas no levantamento estão a Hubfi, uma plataforma imobiliária, e a FlowUp, voltada à gestão de projetos — ambas de Recife, reforçando o papel do ecossistema de tecnologia da capital pernambucana (que este Radar já cobriu em relação ao Porto Digital) também no setor financeiro.
Vale o contraste regional: o Sudeste concentrou US$ 2,44 bilhões em 91 rodadas — 88,2% de todo o capital nacional —, enquanto o Sul movimentou US$ 55,7 milhões em 10 rodadas. Centro-Oeste teve apenas 1 rodada no ano, e o Norte, nenhuma. Isso mostra que, apesar do volume concentrado no eixo Sudeste, o Nordeste segue como a segunda região mais relevante do país nesse recorte, à frente de Sul, Centro-Oeste e Norte somados em número de rodadas.
O que isso significa para a Paraíba
O levantamento não identifica fintechs específicas da Paraíba entre as citadas, mas a proximidade geográfica com Recife — hoje o principal polo fintech do Nordeste — é um fator relevante: empreendedores paraibanos do setor financeiro e de tecnologia têm no ecossistema pernambucano o hub regional mais próximo para buscar capital, mentoria e parcerias, sem precisar migrar para o Sudeste.
Para empresas e comerciantes da Paraíba que usam soluções de crédito, pagamentos ou gestão financeira digital, o crescimento desse ecossistema tende a significar mais opções de fornecedores de tecnologia financeira regionais — muitas vezes com atendimento e suporte mais próximos da realidade do pequeno e médio negócio nordestino do que soluções desenvolvidas no Sudeste.
Fontes
Movimento Econômico.

