O mercado de trabalho brasileiro deu dois sinais fortes nesta terça-feira (29). A taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, a menor já registrada para esse período, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE. E o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, mostrou a criação de 165.827 vagas com carteira assinada em agosto, informou a Agência Brasil.
Os números do IBGE
A taxa de 5,3% ficou abaixo dos 5,6% do trimestre encerrado em maio e dos 5,6% do mesmo período de 2025. O menor nível da série histórica, de 5,1%, foi registrado no último trimestre de 2025; o maior, de 14,9%, ocorreu na pandemia. A população ocupada chegou ao recorde de 103,5 milhões de pessoas, 774 mil a mais que no trimestre anterior, e o número de empregados com carteira no setor privado também bateu recorde, com 39,5 milhões.
O total de desocupados caiu 4,6%, para 5,8 milhões, e os desalentados ficaram em 2,4 milhões. A informalidade, porém, segue alta: 37,5% dos ocupados, ou 38,8 milhões de trabalhadores. O rendimento médio ficou em R$ 3.777, e a massa salarial atingiu o recorde de R$ 385,6 bilhões, alta de 4,8% em um ano. Entre os setores que mais contrataram no trimestre estão a indústria (+265 mil) e a construção (+306 mil, alta de 4,1%).
O Caged de agosto
O saldo de 165,8 mil vagas formais em agosto foi 183,1% maior que o de julho (58,6 mil) e 7,2% superior ao de agosto de 2025 (154,7 mil). Serviços lideraram, com 110,3 mil postos, seguidos por construção (20,8 mil), indústria (16,6 mil), comércio (16,6 mil) e agropecuária (1,5 mil). No acumulado de janeiro a agosto, porém, o país criou 1,13 milhão de vagas, 25,2% menos que no mesmo período do ano passado. O salário médio de admissão ficou em R$ 2.410,74.
Nordeste e Pernambuco em destaque
O Nordeste foi a segunda região que mais gerou empregos em agosto, com 59,4 mil vagas, atrás apenas do Sudeste (73,2 mil). Entre os estados, Pernambuco ficou em terceiro lugar, com saldo de 13.428 postos, atrás de São Paulo (42,5 mil) e Rio de Janeiro (20,9 mil). A reportagem da Agência Brasil não detalhou o resultado da Paraíba.
O que isso significa para empresas e consumidores
Desemprego baixo e massa salarial recorde sustentam o consumo — boa notícia para comércio e serviços no segundo semestre, época de Dia das Crianças, Black Friday e Natal. O outro lado é que encontrar e reter mão de obra fica mais difícil e caro, sobretudo na construção civil, que contrata em ritmo forte. Para o Banco Central, um mercado de trabalho aquecido é mais um argumento para manter os juros altos por mais tempo, já que a inflação segue acima do teto da meta. Para empresas de Pernambuco e da Paraíba, a leitura prática é planejar contratações temporárias de fim de ano com antecedência e rever políticas de retenção antes da alta temporada.
Fontes
Agência Brasil, 29 de setembro de 2026 — Taxa de desemprego cai para 5,3%, a menor para o trimestre até agosto (Bruno de Freitas Moura), com dados da Pnad Contínua/IBGE.
Agência Brasil, 29 de setembro de 2026 — Brasil cria 165,8 mil postos de trabalho em agosto, aponta Caged (Wellton Máximo).

