O que mostram os números do IBGE
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em 15 de setembro de 2026 os resultados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) referentes a julho. Os dados colocam Pernambuco na liderança do crescimento do comércio varejista entre todos os estados brasileiros no acumulado de janeiro a julho de 2026: o varejo restrito (que engloba supermercados, vestuário, móveis, eletrodomésticos, farmácias e outros segmentos do dia a dia) avançou 10,4% em Pernambuco ante o mesmo período de 2025, enquanto a média nacional ficou em 1,8%. No indicador de varejo ampliado — que soma veículos, motocicletas, peças, material de construção e atacado de alimentos — a expansão pernambucana foi de 9,2%, também muito acima da média nacional de 1,9%.
Olhando apenas para julho isoladamente, na comparação com julho de 2025, o varejo restrito de Pernambuco cresceu 7,1%, a segunda maior alta entre os estados, atrás apenas do Espírito Santo (8,5%). Já o varejo ampliado cresceu 6,1% no mesmo comparativo, a terceira maior taxa do país. No acumulado de 12 meses até julho, Pernambuco aparece em primeiro lugar nacional no varejo restrito (alta de 6,7%) e em quinto lugar no varejo ampliado (5,1%) — neste último indicador, é a maior taxa entre os estados do Nordeste.
Paraíba também entre as maiores altas do país
A Paraíba não aparece na mesma divulgação de julho com o mesmo destaque de Pernambuco, mas também teve resultados acima da média nacional ao longo de 2026. Segundo a PMC divulgada pelo IBGE em julho, o varejo paraibano teve alta de 1,5% na comparação entre abril e maio de 2026 — a segunda maior variação mensal entre as unidades da federação, atrás apenas do Distrito Federal (1,6%), enquanto a média nacional no período foi de apenas 0,1%. Na comparação anual, maio de 2026 ante maio de 2025, o varejo da Paraíba cresceu 0,6%, também acima do 0,4% nacional. Os setores que mais puxaram esse resultado no estado foram livros, jornais, revistas e papelaria, tecidos, vestuário e calçados, além de móveis e eletrodomésticos — impulsionados, segundo a reportagem que acompanhou a divulgação, por datas como o Dia das Mães e pela expectativa em torno da Copa do Mundo.
Quem está puxando o crescimento em Pernambuco
De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (SDEC-PE), que acompanhou a divulgação do IBGE, o setor de supermercados, hipermercados e produtos alimentícios respondeu por cerca de 6 pontos percentuais do crescimento acumulado do estado, enquanto o segmento de veículos, motocicletas, peças e componentes contribuiu com aproximadamente 2,6 pontos percentuais. A secretária de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Danielle Jar Souto, afirmou que “Pernambuco mantém uma trajetória de crescimento do comércio muito acima da média nacional” e destacou que a liderança do estado no ranking nacional “mostra a força do mercado pernambucano”.
É importante frisar que essa força mostrada pelos números da PMC é sobre o desempenho do comércio varejista em si — venda de bens, não necessariamente indústria ou logística. A pesquisa do IBGE não estabelece relação direta entre esse resultado e outros polos econômicos do estado, como o Complexo Industrial e Portuário de Suape, que concentra indústria, refino e logística de exportação. Qualquer leitura de que o desempenho do varejo estaria diretamente puxado por Suape é inferência, não fato confirmado pelos dados divulgados — o que a pesquisa mostra é consumo de bens pelo comércio, que pode refletir de forma mais ampla o aquecimento da economia estadual, incluindo o mercado de trabalho e a renda das famílias, sem que a PMC detalhe essa cadeia causal.
Sinais de desaceleração no curto prazo
Apesar da liderança no acumulado do ano, os próprios dados de julho mostram uma acomodação recente: na comparação com junho, o varejo restrito de Pernambuco recuou 1,5% e o ampliado caiu 1,8%. O nível de atividade do varejo pernambucano em julho ficou em 117,4 pontos no índice da série, o sexto maior patamar da série histórica iniciada em 2004 — ainda um nível elevado, mas com sinal de perda de fôlego mês a mês.
Esse movimento acompanha um quadro nacional de acomodação. Segundo o gerente da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, Cristiano Santos, ao comentar os dados nacionais de 2026, “no ano de 2026, o varejo vem crescendo na maior parte do tempo; apenas abril apresentou resultado negativo” no comparativo mensal para o Brasil como um todo — um contexto de crescimento não linear, com meses de alta intercalados por recuos pontuais, inclusive em nível nacional.
O que isso significa para empresários da Paraíba e de Pernambuco
Para comerciantes de Pernambuco, os números do acumulado do ano são um indicador de que a demanda seguiu aquecida ao longo do primeiro semestre e início do segundo, especialmente nos setores de alimentos e de veículos/autopeças, que concentraram a maior parte do crescimento. Isso pode sustentar decisões de expansão de loja, contratação sazonal e reposição de estoque nesses segmentos — mas o recuo mensal de junho para julho é um sinal de que o ritmo não deve ser extrapolado de forma linear para o restante do ano, e que o planejamento de estoque e caixa precisa considerar possível oscilação nos próximos meses.
Na Paraíba, o destaque em livros/papelaria, vestuário e móveis/eletrodomésticos em torno de datas comemorativas reforça um padrão já conhecido do varejo brasileiro: picos de venda concentrados em datas como Dia das Mães, Dia dos Pais e o fim de ano, com efeito relevante também de eventos como a Copa do Mundo sobre a intenção de compra de itens como eletrônicos e vestuário esportivo. Pequenos e médios varejistas paraibanos desses segmentos têm, nesses números, um argumento concreto para reforçar planejamento promocional em torno de datas sazonais.
E para o bolso do consumidor?
Crescimento nas vendas não é, por si, sinônimo de preços mais baixos — a PMC mede volume vendido, não preços. Para o consumidor de Paraíba e Pernambuco, o principal efeito prático tende a ser indireto: mais movimento no comércio local costuma vir acompanhado de mais promoções competitivas, maior variedade de produtos em estoque e, em alguns casos, mais vagas de emprego temporárias no varejo — especialmente em supermercados e no segmento de vestuário, que aparecem entre os setores que mais cresceram nos dois estados. Nenhuma dessas consequências, porém, está quantificada nos dados do IBGE aqui citados; trata-se de leitura de contexto, não de números confirmados pela pesquisa.
Perspectivas para o que vem pela frente
Com o Brasil também mostrando um padrão de crescimento não linear em 2026 — alta na maior parte dos meses, mas com recuos pontuais, segundo o próprio IBGE — a expectativa para o segundo semestre em Pernambuco e na Paraíba tende a depender de como o consumo reage a fatores como taxa de juros, renda das famílias e comportamento do crédito, nenhum dos quais é detalhado pela PMC. O que os dados já confirmam é que os dois estados chegam a setembro de 2026 com desempenho acumulado do ano acima da média nacional, o que os coloca em posição relativamente favorável mesmo diante de eventual desaceleração adiante.
Conclusão
Os números divulgados pelo IBGE nesta semana confirmam Pernambuco como o estado brasileiro com maior crescimento do varejo no acumulado de 2026, e reforçam que a Paraíba também vem no grupo de destaque nacional ao longo do ano. Para empresários da região, o sinal é de mercado consumidor aquecido, mas com necessidade de cautela diante da desaceleração mensal já registrada em julho — e, para o consumidor, de um comércio mais movimentado, ainda que isso não garanta, por si só, preços mais baixos.
Fontes
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgação de 15 de setembro de 2026

