O Litoral Sul da Paraíba teve, nas primeiras semanas de setembro de 2026, um raro alinhamento de boas notícias para quem vive do turismo na região. De um lado, o Fórum Costa das Falésias — iniciativa de governança turística que reúne os municípios de Conde, Pitimbu e Caaporã — foi confirmado entre os 34 finalistas do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade 2026, um dos reconhecimentos mais disputados do setor no Brasil. De outro, o Banco do Nordeste (BNB) revelou ter injetado R$ 364 milhões em atividades produtivas ligadas ao turismo paraibano apenas no primeiro semestre do ano, com parte relevante desse volume beneficiando empreendedores do litoral sul.
Um prêmio nacional para a governança do turismo regional
O Prêmio Braztoa de Sustentabilidade, criado em 2012 pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo, reconhece iniciativas que incorporam práticas responsáveis à atividade turística e geram impactos positivos mensuráveis nos destinos. Na edição 2026, o prêmio recebeu 95 iniciativas de todo o país, das quais 34 avançaram à fase final — entre elas, o projeto “Fórum Costa das Falésias: Governança Territorial para o Turismo Sustentável no Litoral Sul da Paraíba”, inscrito na categoria Gestão/Governança.
A avaliação leva em conta relevância, resultados, impactos e abrangência das ações desenvolvidas. O resultado final será anunciado em novembro de 2026, durante cerimônia em Gramado, no Rio Grande do Sul.
“Chegar à final representa o reconhecimento de uma caminhada construída por muitas mãos”, afirmou Chico Pinheiro, presidente do Fórum Costa das Falésias, em nota divulgada pela Agência Sebrae de Notícias da Paraíba. Em outra fala reproduzida por veículos locais, Pinheiro reforçou que “estar entre os finalistas mostra que esse esforço coletivo alcançou projeção nacional”.
Para Regina Amorim, gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae/PB, entidade que apoia tecnicamente o fórum, o resultado confirma uma tese de desenvolvimento territorial: “Um destino se fortalece quando consegue transformar sua identidade, sua cultura e seus recursos em oportunidades reais para as pessoas que vivem e empreendem nele.” Já o consultor de turismo Danylo Aguiar, citado na cobertura do tema, ponderou que “chegar a essa etapa exige mais do que uma boa proposta” — numa referência à consistência de resultados exigida pela banca avaliadora ao longo dos últimos anos.
Um histórico de reconhecimentos que vem se acumulando
A indicação ao Braztoa não é um fato isolado. Em 2025, o Fórum Costa das Falésias já havia conquistado o terceiro lugar no Prêmio Nacional do Turismo, na categoria Governança e Gestão do Turismo. Em 2026, a iniciativa também recebeu a Medalha do Mérito Turístico da Paraíba, concedida pela Assembleia Legislativa do estado, além do título de utilidade pública votado pelas câmaras municipais dos três municípios que integram o fórum. Esse acúmulo de reconhecimentos vem sendo usado pela gestão do fórum e pelo Sebrae/PB como argumento para atrair mais investimento privado e público para a faixa litorânea que vai de Jacumã, em Conde, até as praias de Pitimbu e Caaporã.
R$ 364 milhões do BNB: o dinheiro por trás do discurso
Enquanto a candidatura ao prêmio nacional tramitava, o setor produtivo do litoral sul recebeu um reforço financeiro concreto. Em 9 de setembro, o Banco do Nordeste e o Sebrae promoveram, na Câmara Municipal de Conde, o Seminário de Boas Práticas do Turismo, ocasião em que o BNB detalhou ter destinado R$ 364 milhões a atividades produtivas ligadas ao turismo na Paraíba no primeiro semestre de 2026, por meio de linhas de crédito e do Programa de Desenvolvimento Territorial (Prodeter), que o banco coordena atualmente em cinco territórios do estado.
O gerente executivo do BNB, Izidro Soares, afirmou durante o evento que o turismo “abrange mais de 50 segmentos econômicos” e funciona como “um verdadeiro motor da economia” para o desenvolvimento sustentável em toda a Paraíba. Regina Amorim, do Sebrae, também participou do seminário e voltou a destacar a importância estratégica do turismo para a interiorização do desenvolvimento econômico, apontando o empreendedorismo criativo como modelo para novos negócios na região.
O encontro em Conde não ficou apenas no discurso institucional: teve espaço para apresentações de empreendedores locais que já sentem o efeito prático desse fluxo de investimento e capacitação. Participaram do seminário Claudineide Ferreira, da Associação Mulheres Negras do Campo do Gurugi; Kessy Albuquerque, da Pousada Roliude; e Nevinha Silva, do Shopping Rural Doces Tambaba — negócios de pequeno porte, tocados por moradores da região, que dependem diretamente do fluxo turístico das praias de Conde para se manter.
O que isso significa para quem vive do turismo na região
Para o comércio local — pousadas, restaurantes de praia, associações produtivas e pequenos empreendimentos artesanais espalhados entre Conde, Pitimbu e Caaporã — a combinação de reconhecimento institucional e crédito disponível tende a se traduzir em efeitos concretos de médio prazo: mais acesso a linhas de financiamento do BNB, maior atratividade para investidores externos de olho num destino já premiado nacionalmente, e argumento de peso para os municípios buscarem recursos estaduais e federais adicionais de infraestrutura turística.
Também há um efeito reputacional que interessa diretamente a quem depende do turista de fora do estado: um selo nacional de sustentabilidade — mesmo que ainda não confirmado, já estando entre os 34 finalistas — funciona como validação de que o litoral sul paraibano não vende apenas paisagem, mas também um modelo de gestão territorial que outros destinos do país têm dificuldade de replicar.
Próximos passos
O resultado do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade 2026 só será conhecido em novembro, na cerimônia de Gramado (RS), e a expectativa entre os gestores do fórum é de repetir — ou superar — o terceiro lugar obtido em 2025 no Prêmio Nacional do Turismo. Enquanto isso, o fluxo de crédito do BNB para o setor deve seguir sendo monitorado pelo Sebrae/PB e pelas prefeituras da região como termômetro de quanto do discurso de fortalecimento institucional está, de fato, chegando ao caixa dos pequenos negócios que sustentam o turismo no dia a dia das praias do litoral sul.
O episódio desta primeira quinzena de setembro reforça um movimento que vem se consolidando nos últimos dois anos: o litoral sul da Paraíba deixou de ser tratado apenas como destino de lazer e passou a ser citado, em fóruns nacionais de turismo e no radar de instituições financeiras, como estudo de caso de governança turística regional — um ativo que, se bem administrado, tende a se converter em mais visitantes, mais crédito e mais renda para quem vive de Conde a Caaporã.
Fontes:
Agência Sebrae de Notícias da Paraíba, “Costa das Falésias chega à final do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade 2026”, 4 de setembro de 2026.
Turismo em Foco, “Costa das Falésias leva a Paraíba à final do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade 2026”, 4 de setembro de 2026.

