O preço internacional do petróleo voltou ao centro da agenda econômica global em setembro de 2026. O barril do tipo Brent, referência para o mercado, opera acima de US$ 100 desde 3 de setembro e, ao longo do mês, os contratos futuros chegaram a ultrapassar US$ 107 — o patamar mais alto desde maio, segundo levantamentos da Forbes Brasil e da SpaceMoney. Em 10 de setembro, o Brent registrou um dos maiores avanços diários em meses; medições ao longo do pregão apontaram o barril rondando US$ 102 (ADVFN) a US$ 107 (SpaceMoney), com o WTI, o petróleo de referência dos Estados Unidos, na casa dos US$ 97. No acumulado desde o início de agosto, o Brent avança em torno de 30%.
A guerra que move o mercado
O motor da alta é a guerra entre Estados Unidos e Irã, que começou em 28 de fevereiro de 2026, quando forças americanas e israelenses atacaram alvos iranianos, e já entrou no sétimo mês sem cessar-fogo permanente. Os combates foram retomados em agosto e escalaram em setembro: segundo agências de notícias citadas pela imprensa brasileira, os dois países trocaram ataques contra petroleiros e navios de guerra, os EUA afundaram embarcações iranianas e o Irã atacou navios nas proximidades do Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que vai intensificar as respostas. Em paralelo, os houthis, aliados de Teerã, ampliaram os ataques contra a Arábia Saudita e contra a navegação no Mar Vermelho.
Estreito de Ormuz: o gargalo
O Estreito de Ormuz, passagem estreita entre o Irã e a Península Arábica, escoa cerca de um quinto de todo o petróleo e o gás natural liquefeito consumidos no planeta. Com o conflito, o fluxo de embarcações pela região caiu para níveis substancialmente abaixo dos registrados antes da guerra, obrigando países importadores a recorrer a estoques para evitar desabastecimento. É esse temor de falta de oferta física, mais do que um aumento real de consumo, que sustenta os preços elevados.
Por que isso importa para o Brasil
O Brasil é exportador líquido de petróleo bruto, mas ainda importa derivados como diesel e, em alguns períodos, gasolina. O preço do barril lá fora afeta a economia brasileira por três canais principais. O primeiro é o combustível: a Petrobras adota uma política de preços influenciada pela paridade internacional, e um Brent alto pressiona os valores de refinaria de diesel e gasolina. O segundo é o câmbio: momentos de tensão geopolítica costumam fortalecer o dólar, encarecendo importações e insumos. O terceiro é a inflação: combustível mais caro se espalha pela economia via frete, encarecendo alimentos, bens industriais e serviços.
Do lado positivo, a alta do barril tende a aumentar a arrecadação do governo e dos estados com royalties e participações especiais, além de melhorar a receita de exportação da Petrobras. O Ministério da Fazenda afirmou contar com mais de R$ 10 bilhões em receitas extraordinárias do petróleo para financiar medidas de contenção de preços.
Relação com Pernambuco e Paraíba
Para o Nordeste, o encarecimento do diesel é o ponto mais sensível. Levantamentos do setor de transporte divulgados ao longo de 2026 mostram que a região concentrou reajustes acima da média nacional: entre fevereiro e meados do ano, o diesel subiu cerca de R$ 1,24 por litro no Nordeste, contra cerca de R$ 0,89 na média do país, segundo dados compilados pelo portal Movimento Econômico. Uma transportadora citada nesses levantamentos viu o custo de diesel por quilômetro passar de R$ 3,58 para R$ 4,38 em dois meses. Isso encarece o abastecimento de supermercados, o escoamento da produção do Agreste e do Litoral e o custo de operação de indústrias em polos como Suape (PE) e o Distrito Industrial de João Pessoa e Campina Grande (PB). Refinarias e terminais da região — como a Refinaria Abreu e Lima, em Suape — ganham relevância estratégica nesse cenário. O efeito exato sobre cada setor é uma inferência econômica a partir da estrutura de custos regional, e não um número já medido.
Perspectivas
Analistas ouvidos pela imprensa econômica evitam projetar o fim da guerra e, com ele, um alívio rápido nos preços. Enquanto o Estreito de Ormuz seguir sob risco, a tendência é de volatilidade alta, com o barril oscilando em uma faixa elevada. Para o consumidor brasileiro, o que vai definir o impacto no bolso é a combinação entre o preço internacional, o comportamento do câmbio e a decisão do governo e da Petrobras sobre quanto desse custo repassar às bombas.
Fontes
CNN Brasil, “Petróleo volta a subir com escalada de conflito no Oriente Médio” (3/9/2026); Forbes Brasil, “Preços do petróleo atingem máximas de seis semanas” (9/2026);

