O mercado internacional de petróleo entrou em setembro de 2026 sob tensão. O barril do tipo Brent, referência global, era negociado em torno de US$ 95 no dia 3, depois de ter passado de US$ 96 no início do mês; o WTI, referência americana, ficava perto de US$ 91. O que sustenta os preços num patamar elevado é a guerra entre Estados Unidos e Irã, que chegou ao sétimo mês.
A escalada mais recente
Após cerca de um mês de relativa calma, o conflito voltou a se intensificar. Os Estados Unidos atacaram sistemas de radar iranianos e o Irã respondeu com uma nova rodada de ataques. “Os últimos ataques marcaram uma escalada significativa após cerca de um mês de relativa calma”, avaliou o analista Mark Schaefer, da Liquidity Energy, em declaração reproduzida pela imprensa econômica.
O ponto mais sensível continua sendo o Estreito de Ormuz, passagem estreita entre o Irã e a Península Arábica. O Irã interrompeu de forma efetiva o tráfego marítimo pela via, por onde escoava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos no planeta antes da guerra. Com Ormuz restrito, boa parte da produção do Golfo Pérsico — Arábia Saudita, Kuwait, Iraque, Emirados — enfrenta dificuldade para chegar ao mercado, o que anula na prática qualquer aumento de cotas.
A OPEP+ aumenta a produção, mas o efeito é pequeno
A OPEP+, aliança que reúne a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e parceiros como a Rússia, confirmou um aumento de 188 mil barris por dia na produção a partir de setembro. O movimento faz parte da reversão gradual dos cortes voluntários de quase 6 milhões de barris diários adotados entre 2022 e 2023 para sustentar preços. O grupo já marcou nova reunião para 6 de setembro, quando pode aprovar mais um aumento de magnitude semelhante.
Na prática, porém, o efeito é limitado por dois motivos. Primeiro, vários membros já não conseguem cumprir as cotas atuais por falta de capacidade. A própria Rússia produz cerca de 9 milhões de barris por dia, abaixo da meta de 9,8 milhões, por causa de ataques à sua infraestrutura de refino — o presidente Vladimir Putin afirmou que o país “restaurará os 10% restantes muito em breve”. Segundo, com Ormuz bloqueado, aumentar a cota no papel não coloca mais barris nos navios.
Uma projeção que ficou para trás
No início do ano, o Departamento de Energia dos Estados Unidos projetava um preço médio de US$ 82 para o Brent em 2026. A guerra jogou a cotação bem acima disso. Enquanto o conflito e a restrição a Ormuz persistirem, a tendência é de preço alto e volátil.
O que isso significa para o Brasil
O Brasil hoje é exportador líquido de petróleo, graças ao pré-sal, e um preço internacional alto tem dois efeitos opostos. Pelo lado positivo, aumenta a receita de exportação, o faturamento da Petrobras e a arrecadação de royalties de estados e municípios produtores, além de ajudar a balança comercial e, indiretamente, a sustentar as reservas cambiais.
Pelo lado negativo, encarece os combustíveis no mercado interno. A gasolina, o diesel e o gás de cozinha têm preços influenciados pela cotação internacional e pelo câmbio — e o dólar é projetado pelo mercado em torno de R$ 5,20 para o fim de 2026. Quando o barril sobe em dólar e o real está desvalorizado, a pressão sobre os preços de bomba aumenta, mesmo que a Petrobras adote uma política de suavizar os repasses. O diesel é o elo mais sensível: ele define o custo do frete rodoviário, que no Brasil carrega quase tudo — alimentos, insumos, mercadorias — e se transmite à inflação ao consumidor. Esse encadeamento entre barril, câmbio, diesel e preços é uma relação econômica conhecida, ainda que a intensidade e o momento do repasse dependam de decisões da estatal e do governo.
Relação com a Paraíba e Pernambuco
Pernambuco tem no Complexo de Suape a Refinaria Abreu e Lima (RNEST), uma das maiores do país, e terminais de combustível que abastecem todo o Nordeste oriental, incluindo a Paraíba. Um cenário de petróleo caro e logística internacional truncada tende a elevar o custo dos derivados distribuídos a partir de Suape e, na ponta, o preço nos postos de João Pessoa, Campina Grande, Recife e Caruaru. Para o transporte de cargas entre os dois estados — que movimenta desde a produção de calçados e confecções até frutas e grãos —, diesel mais caro significa margem menor ou repasse ao preço final. É um efeito indireto, de cadeia, não um dado já medido.
Perspectivas
O rumo do preço do petróleo no restante de 2026 depende quase inteiramente da geopolítica: de uma eventual trégua entre Estados Unidos e Irã e da reabertura de Ormuz. Enquanto isso não acontecer, o mundo — e o Brasil — convive com energia cara, e o Banco Central brasileiro tem menos espaço para acelerar a queda dos juros, já que o câmbio pressionado e o risco inflacionário externo entram na conta do Copom.
Fontes: CNN Brasil.

