As dez maiores redes de supermercados da Paraíba faturaram, somadas, R$ 3,3 bilhões em 2025, segundo o Ranking Abras 2026, divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados. Na liderança está o BeMais Supermercados, da família Gomes Paixão & Cia, com R$ 860 milhões — seguido por Farias Supermercados (R$ 601 milhões) e Rede Paraíba de Supermercados (R$ 539 milhões).
De mercearia de bairro a maior rede do estado
A história do BeMais ilustra o perfil do varejo alimentar paraibano: a rede nasceu em 1994, quando os irmãos Raílton e Ronaldo Cardoso da Costa abriram uma pequena mercearia de bairro em João Pessoa, voltada ao público popular. Três décadas depois, a empresa completa 32 anos em 2026 com 12 lojas na capital e uma unidade em Guarabira, inaugurada em 2024, gerando cerca de 2.000 empregos diretos. É um modelo de crescimento orgânico e regional que se repete em boa parte do ranking paraibano — diferente de outros estados nordestinos, onde a consolidação em torno de uma ou duas redes gigantes já avançou mais.
A pressão dos gigantes nacionais
Apesar do porto seguro que os R$ 3,3 bilhões conjuntos representam, o varejo local convive com a presença cada vez mais forte de grupos nacionais na Paraíba. O Grupo Carrefour Brasil registrou R$ 58,2 bilhões em receita só no primeiro semestre de 2026; o Assaí Atacadista faturou R$ 21,3 bilhões apenas no segundo trimestre; e o Grupo Mateus, único entre os três gigantes com raízes nordestinas, fechou o último ano com R$ 43,6 bilhões. Para efeito de comparação, o Novo Mateus — fusão do Grupo Mateus com o Novo Atacarejo pernambucano — sozinho faturou R$ 12 bilhões no último ano, tornando-se a nona maior rede de supermercados do Brasil e ofuscando, em porte, qualquer operador paraibano individual.
Por que o varejo regional ainda resiste
Um fator que ajuda a explicar a resiliência das redes paraibanas é a fragmentação do mercado em cidades médias do interior, como Guarabira e Campina Grande, onde operadores locais cresceram com lojas menores e mix de produtos adaptado à realidade regional — modelo que dificulta uma consolidação rápida por parte de redes nacionais, mais acostumadas a grandes formatos urbanos. Segundo executiva do setor ouvida em reportagem recente, o comércio eletrônico e o delivery ainda não substituem, no comportamento do consumidor paraibano, a compra presencial em loja física, o que também ajuda a proteger o espaço das redes regionais frente à concorrência digital.
O panorama em Pernambuco: mercado bem maior
Em Pernambuco, o setor supermercadista opera em outra escala: as dez maiores redes com sede no estado somaram R$ 16,3 bilhões em faturamento, cinco vezes o volume paraibano. A liderança é do Costa Atacadão, do Grupo JC, com R$ 7,8 bilhões. O crescimento do setor no estado também é o mais acelerado do país: dados do IBGE mostram alta acumulada de 22,2% nas vendas de supermercados, hipermercados e produtos alimentícios entre janeiro e maio de 2026 — a maior força motriz por trás do avanço de 11% do varejo pernambucano como um todo no período, bem acima da média nacional de 1,7%.
O que isso significa para o consumidor e para o pequeno varejo
Para o consumidor, a coexistência entre redes regionais consolidadas e gigantes nacionais tende a manter a competição por preço aquecida nos próximos meses, especialmente em categorias de itens essenciais, puxadas pelo crescimento mais forte do setor. Já para pequenos mercados e mercearias de bairro — o formato do qual o próprio BeMais nasceu há 32 anos —, o desafio segue sendo o mesmo de sempre: sobreviver à escala das grandes redes oferecendo proximidade, atendimento e um mix de produtos afinado com o bairro em que estão inseridos.
O fenômeno nacional por trás desses números
O que acontece na Paraíba e em Pernambuco reflete um movimento mais amplo observado em todo o país: redes regionais de supermercados já respondem por cerca de 70% do faturamento somado entre as 20 maiores empresas do setor no Brasil, segundo analistas do mercado varejista. O próprio Grupo Mateus, hoje gigante nacional, começou como operador regional maranhense antes de se expandir por Pará, Piauí, Ceará, Pernambuco, Paraíba e outros estados nordestinos — inclusive via fusões com redes locais, caso do Novo Atacarejo pernambucano. Esse padrão de crescimento por aquisição de operadores regionais, mais do que abertura de lojas próprias do zero, é hoje uma das teses de investimento mais observadas por gestoras de fundos voltadas ao varejo alimentar brasileiro.
Fontes
Com dados do IBGE/PMC (23/07/2026).

