O custo da construção civil na Paraíba registrou em julho a menor variação mensal entre todos os estados brasileiros, empatado com o Rio de Janeiro: alta de apenas 0,15%, segundo o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgado pelo IBGE. Com o reajuste, o metro quadrado de construção no estado passou a custar, em média, R$ 1.917,12 — valor que mantém a Paraíba na segunda posição do Nordeste em custo de obra, atrás apenas do Maranhão.
Um mês de acomodação depois de uma alta mais forte
O resultado de julho representa uma desaceleração em relação a junho, quando o índice paraibano havia subido 0,34%, também abaixo da média regional, mas já sinalizando arrefecimento frente ao ritmo do restante do Nordeste. Em junho, a região havia registrado a maior variação do país entre as grandes regiões, com alta de 1,45%, puxada por reajustes salariais da categoria em Ceará e Pernambuco. Já em julho, segundo o IBGE, o aumento na Paraíba foi puxado inteiramente pelos materiais de construção, que subiram 0,26% no mês — enquanto o custo da mão de obra permaneceu estável pelo quinto mês consecutivo, sinalizando uma acomodação nas negociações salariais do setor no estado.
Como a Paraíba se compara ao Brasil e ao Nordeste
A variação de julho na Paraíba (0,15%) ficou abaixo tanto da média nacional (0,44%) quanto da média do Nordeste (0,33%), invertendo a posição de destaque negativo que o estado ocupava em meses anteriores. Ainda assim, o custo por metro quadrado no estado segue seguindo uma trajetória de alta constante: são 23 avanços mensais consecutivos até abril, segundo levantamentos anteriores do Sinapi, e o valor atual coloca a Paraíba com o segundo maior custo de construção do Nordeste, atrás do Maranhão (que registrou R$ 1.960,01 em junho) e à frente da média regional, estimada em torno de R$ 1.828 a R$ 1.874 por metro quadrado nos levantamentos mais recentes.
O que pesa mais no bolso: material ou mão de obra
O detalhamento do Sinapi mostra uma dinâmica que se repete há meses no estado: os materiais de construção — cimento, aço, insumos elétricos e hidráulicos — respondem pela maior parte da variação mensal recente, enquanto a mão de obra tem ficado estável desde o início do ano. Em nível nacional, o cenário no acumulado de 12 meses é o oposto: a mão de obra acumula alta de 9,59% no período, quase o dobro dos 5,54% de aumento dos materiais, resultado de uma onda de acordos coletivos firmados em diferentes estados ao longo do primeiro semestre — o que ajuda a explicar por que a Paraíba, com sua mão de obra estabilizada, tem performado abaixo da média nacional nos últimos meses.
Impacto para quem constrói e para quem compra
Para construtoras e incorporadoras, uma variação mensal mais baixa reduz a pressão sobre orçamentos em andamento e facilita o planejamento de novos lançamentos — especialmente relevante num momento em que o setor imobiliário paraibano vive expansão, com o lançamento de empreendimentos maiores na Grande João Pessoa. Para quem constrói por conta própria, o Sinapi segue como referência obrigatória em obras públicas federais e como parâmetro amplamente usado também em contratos privados e financiamentos: uma casa de 120 m² em padrão médio, ao custo atual, gira em torno de R$ 230 mil só na construção, sem contar terreno, projeto, fundação e taxas.
Contexto: reforma tributária também está no radar do setor
Paralelamente à trajetória de custos, o setor da construção civil no Nordeste também acompanha de perto os efeitos da reforma tributária em curso, que segundo entidades como a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) tende a acelerar a adoção de construção industrializada — método que promete reduzir desperdício e ganhar competitividade justamente em um cenário de custos de insumo ainda elevados. Para construtoras paraibanas, a combinação de custo estabilizado e novo regime tributário em desenho é vista pelo setor como janela de oportunidade para revisar processos antes que as mudanças entrem em vigor de forma definitiva.
Perspectiva para os próximos meses
Com a mão de obra estável há cinco meses e os materiais respondendo por praticamente toda a variação recente, o setor na Paraíba entra no segundo semestre com um cenário de custos mais previsível do que o observado em boa parte do Nordeste. Analistas do setor ponderam, no entanto, que essa estabilidade salarial tende a ser temporária: novas rodadas de negociação coletiva costumam se concentrar no fim do ano, o que pode reacender a pressão sobre o indicador nos próximos meses, especialmente se o ritmo de contratações no setor — hoje aquecido, segundo empresários locais — continuar exigindo mão de obra qualificada num mercado já apertado.
Fontes
Com dados do IBGE/Sinapi (13/07 e 12/06/2026).

