A rede varejista Casas Bahia fechou 298 lojas físicas em
todo o Brasil, o equivalente a 28,7% de sua rede de unidades, e demitiu aproximadamente
1.900 funcionários — número que, segundo estimativas, pode chegar a cerca de 3 mil
desligamentos no total. O corte, um dos maiores já promovidos pela companhia, atinge diretamente a Paraíba,
com o fechamento de unidades nos municípios de Sousa e Patos, no interior
do estado.
O movimento de fechamento de lojas está diretamente ligado à situação financeira da companhia: a Casas
Bahia registrou prejuízo de quase R$ 1,1 bilhão apenas no primeiro trimestre de 2026, somando
-se a um prejuízo líquido acumulado de aproximadamente R$ 3 bilhões ao longo de 2025. Os
números refletem um processo de reestruturação financeira mais amplo da varejista, historicamente uma das
maiores redes de eletrodomésticos e móveis do país, hoje pressionada pela concorrência do comércio
eletrônico.
Vendas digitais crescem enquanto lojas físicas perdem espaço
Os dados financeiros do primeiro trimestre de 2026 ilustram a transição de modelo de negócio em curso: as
vendas online de produtos próprios da companhia cresceram 26% no período, enquanto as vendas
em lojas físicas recuaram 1,8%. Esse contraste ajuda a explicar a decisão de reduzir a
presença física da rede, redirecionando investimento e operação para o canal digital, considerado
estrategicamente mais rentável no cenário atual da companhia.
O fechamento de quase 300 lojas de uma só vez é um sinal relevante para o varejo físico brasileiro como um
todo, especialmente para o segmento de eletrodomésticos e móveis, que enfrenta pressão simultânea de
marketplaces online, varejistas digitais nativas e mudança de comportamento de consumo — um movimento que já
afeta outras grandes redes do setor no país nos últimos anos.
O que isso significa para a Paraíba e para Pernambuco
Para a Paraíba, o fechamento das unidades de Sousa e Patos representa perda direta de postos de trabalho
formais em dois municípios do interior do estado, além de reduzir a oferta de comércio físico de
eletrodomésticos e móveis nessas cidades — um efeito que tende a beneficiar concorrentes locais e regionais
que mantenham presença física, bem como acelerar a migração de consumidores dessas cidades para compras
digitais ou deslocamento a centros maiores em busca de opções físicas de compra.
Para Pernambuco, ainda sem unidades da rede confirmadas entre as fechadas, o episódio funciona como um
alerta para o varejo físico regional sobre a velocidade da migração do consumo para o digital, reforçando a
relevância de dados já mostrados por este Radar sobre o crescimento acelerado do e-commerce no Agreste
pernambucano como uma tendência estrutural, e não apenas conjuntural, do comércio na região.
Fontes
Poder Paraíba (citando Valor Econômico) — Casas Bahia fecha quase 300 lojas e demite cerca de 1,9 mil funcionários; unidades da Paraíba são afetadas.

