A Paraíba deve registrar o maior crescimento econômico do Nordeste em 2026, com o Produto Interno Bruto (PIB) estadual projetado em 4,4% — o terceiro maior avanço entre todos os estados brasileiros, atrás apenas de Roraima (4,8%) e empatado com o Amapá. O número é mais que o dobro da média nacional projetada, de 2,0%, e também supera com folga a média da região Nordeste, estimada em 2,5%.
Os dados constam do relatório “Resenha Regional”, divulgado pelo Banco do Brasil, que também detalha os motores desse crescimento por setor: os serviços devem crescer 4,4%, a indústria 3,0% e a agropecuária 1,9%. Entre os setores, a construção civil aparece como destaque especial — apontada pelo relatório como o principal motor do resultado paraibano.
Na comparação regional, a Paraíba deixa para trás vizinhos historicamente mais citados como polos de investimento no Nordeste, como Ceará (2,8% de crescimento projetado) e Sergipe (2,6%) — um resultado que contraria a percepção comum de que o dinamismo econômico da região se concentra nas capitais com maior porte industrial.
Um estado com “nota de crédito” em dia
O desempenho projetado vem acompanhado de indicadores fiscais que ajudam a explicar o apetite de investimento no estado: a Paraíba mantém rating brAAA/Estável junto à S&P Global National Ratings, e ostenta há seis anos consecutivos a nota máxima do Tesouro Nacional na Capacidade de Pagamento (CAPAG), classificação “A+” que mede a capacidade do estado de honrar suas dívidas e contrair novos financiamentos em condições favoráveis.
Esse tipo de qualificação fiscal costuma pesar diretamente na atração de investimentos privados de maior porte, porque reduz a percepção de risco institucional para quem decide investir no estado — tanto para empresas quanto para bancos que financiam obras públicas e privadas.
Cabo Branco como vitrine do momento
Um exemplo concreto do apetite de investimento no litoral paraibano é o Polo Turístico Cabo Branco, em João Pessoa, que soma aproximadamente R$ 3 bilhões em investimentos já direcionados à região — volume que ajuda a explicar por que a construção civil aparece como o setor de maior destaque na projeção de crescimento do estado.
Esse ciclo de obras tende a gerar efeitos em cadeia relevantes para o comércio e os serviços locais: geração de empregos diretos na construção, aquecimento da cadeia de fornecedores (material de construção, transporte, alimentação), e — no médio prazo — ampliação da oferta hoteleira e do fluxo turístico na orla de João Pessoa e Litoral Sul.
O que isso significa para empresários da Paraíba e de Pernambuco
Um PIB estadual crescendo acima da média nacional e regional costuma se traduzir, com alguma defasagem, em mais renda disponível circulando na economia local — o que favorece o comércio e os serviços voltados ao consumidor. Para empresários de setores ligados à construção civil, material de construção, hotelaria e turismo, o cenário é ainda mais direto: a combinação de rating de crédito elevado, investimento público e privado em curso, e um ciclo de queda da Selic (ver matéria relacionada sobre o corte de juros do Copom) forma um ambiente relativamente favorável para expansão de negócio nos próximos trimestres.
Para Pernambuco, o dado é relevante como termômetro regional: um vizinho crescendo acima da média do Nordeste tende a gerar transbordamento de demanda — profissionais, insumos e serviços especializados de Pernambuco frequentemente atendem obras e negócios do litoral paraibano, dada a proximidade geográfica e logística entre os dois estados.
Fontes
Banco do Brasil (relatório Resenha Regional, abril de 2026); CINEP — Companhia de Desenvolvimento da Paraíba; Governo do Estado da Paraíba.

