A menos de uma semana do Dia dos Pais, celebrado neste ano no domingo, 9 de agosto, uma pesquisa do Hub do Comércio da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE) projeta movimentação de R$ 226,5 milhões no varejo pernambucano para a data. O levantamento, divulgado em 5 de agosto e elaborado com dados do Banco Central, do IBGE, da Secretaria da Fazenda de Pernambuco (Sefaz-PE) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC), aponta um detalhe que chama atenção: apesar do valor em reais parecer robusto, ele representa uma retração real de 3,6% em comparação ao Dia dos Pais de 2025.
Um contraste com o cenário nacional
Esse recuo pernambucano contrasta com a leitura nacional para a mesma data. Segundo projeção da CNC, as vendas de Dia dos Pais em todo o Brasil devem somar R$ 8,52 bilhões em 2026, alta de 2,9% frente aos R$ 8,28 bilhões de 2025 — a quarta data mais importante do calendário varejista brasileiro em movimentação financeira. Vestuário deve liderar as vendas nacionais (R$ 3,34 bilhões), seguido por perfumaria e cosméticos (R$ 1,72 bilhão) e utilidades domésticas e eletroeletrônicos (R$ 1,31 bilhão) — juntos, os três segmentos respondem por cerca de 83% do total. A CNC estima ainda a criação de 12.070 vagas temporárias no varejo do país para a data, em um cenário de desemprego no menor patamar dos últimos 13 anos.
Se o mercado de trabalho nacional está aquecido, por que Pernambuco projeta queda? A resposta indicada pelo próprio Hub do Comércio da Fecomércio-PE está no crédito: a pesquisa associa a retração a um “consumo mais cauteloso”, influenciado principalmente pela restrição ao crédito e pelo aumento da inadimplência das pessoas físicas — fator que dialoga diretamente com a Selic ainda em 14% ao ano, tratada na primeira matéria deste radar. Em nível nacional, a CNC também chama atenção para o endividamento das famílias: 81,64% delas têm dívidas a vencer, segundo a entidade — um dado que ajuda a explicar por que, mesmo com emprego em alta, o consumo em datas comemorativas segue pressionado, e por que esse efeito parece mais acentuado em Pernambuco do que na média do país.
O peso do Dia dos Pais na economia pernambucana
Para dimensionar a data, a pesquisa da Fecomércio-PE estima que agosto deve movimentar R$ 11,08 bilhões na economia do estado como um todo, com arrecadação aproximada de R$ 2,46 bilhões em ICMS no mês. O Dia dos Pais, portanto, responde por uma fatia relativamente pequena desse total mensal, mas é estrategicamente concentrado em poucos dias e em segmentos específicos — vestuário, calçados e eletroeletrônicos são citados como os mais beneficiados pela data, os mesmos setores que lideram as vendas em nível nacional.
Consequências para lojistas e consumidores
Para o pequeno e médio comerciante pernambucano — de lojas de vestuário e calçados em bairros e polos comerciais de Recife às lojas do interior, incluindo praças como Caruaru e Petrolina —, a mensagem da pesquisa é de cautela: mesmo em uma data tradicionalmente forte, o consumidor está comprando menos, ou gastando menos por compra, do que no ano passado. Isso reforça a importância de estratégias como parcelamento, promoções direcionadas e diversificação de canais — o comércio eletrônico já vem ganhando espaço entre consumidores da Paraíba, segundo outro levantamento do Paraíba Business, embora não haja, nas fontes consultadas para esta matéria, um número equivalente de e-commerce especificamente para o Dia dos Pais em Pernambuco.
Relação com o Brasil e com o Litoral Sul da Paraíba
O padrão nacional de crescimento moderado (2,9%) puxado por vestuário e cosméticos mostra que a data segue relevante para o varejo brasileiro como um todo. Já a retração pernambucana é um sinal de alerta específico, que pode — é uma inferência baseada no comportamento regional de crédito e consumo, não um dado direto das fontes consultadas — também se refletir no comércio de cidades da Paraíba e do Litoral Sul, dado que ambos os estados compartilham parte do mesmo perfil de consumidor e das mesmas condições de crédito bancário. Não há, porém, pesquisa equivalente disponível especificamente para o comércio paraibano no Dia dos Pais 2026 nas fontes levantadas para esta matéria, o que reforça a cautela em estender o número pernambucano para toda a região sem dado próprio.
Perspectivas e conclusão editorial
O contraste entre o crescimento nacional projetado pela CNC e a retração local apontada pela Fecomércio-PE é o dado mais relevante desta pauta: ele sugere que o consumidor pernambucano está reagindo de forma mais conservadora ao ambiente de crédito caro do que a média brasileira. Lojistas da região fazem bem em monitorar de perto o comportamento de vendas nos próximos dias e ajustar estoque e promoções à realidade local, em vez de projetar a expectativa nacional automaticamente para o estado.

