A policial penal trans Andrea Gomes denunciou falas misóginas e transfóbicas atribuídas a um colega de profissão contra agentes da Penitenciária Silvio Porto, em João Pessoa, motivando a Secretaria de Administração Penitenciária da Paraíba (Seap-PB) e a AGEPPEN-PB a repudiarem o ocorrido e abrirem investigação administrativa.
Uma publicação feita pela policial penal Andrea Gomes, servidora com 17 anos de atuação no sistema prisional da Paraíba, repercutiu entre profissionais da categoria após denunciar falas misóginas atribuídas a um colega de profissão.
Em postagem divulgada nas redes sociais, a agente afirma ter recebido, por meio do WhatsApp, áudios enviados por policiais penais femininas lotadas na Penitenciária de Segurança Máxima Criminalista Geraldo Beltrão (Silvio Porto), em João Pessoa.
Segundo Andrea, o conteúdo atribuído ao policial contém expressões ofensivas dirigidas às mulheres que atuam na Polícia Penal da Paraíba, além de referências consideradas discriminatórias contra ela mesma, que é policial penal trans. A servidora classificou as declarações como misóginas, machistas e transfóbicas e defendeu que o caso seja apurado e haja punição ao responsável pelas agressões.
Na publicação, Andrea afirma que reduzir mulheres a termos pejorativos e desrespeitar a identidade de gênero “não são mera opinião”, mas atitudes que atingem a dignidade das pessoas e podem configurar como crime.
Em entrevista ao @seligalitoral_, a policial penal reforçou que considera o ambiente policial historicamente marcado pelo machismo, mas só ele. Andrea defendeu uma atuação firme da gestão diante de situações dessa natureza.
“É claro que a polícia é um ambiente muito mais machista. Precisamos que os líderes e gestores tenham sempre a sensibilidade de, quando necessário, punir quem extrapola os limites da civilidade”, afirmou Andrea Gomes.
Seap anuncia investigação
Em nota oficial, a Secretaria informou que repudia qualquer forma de preconceito, machismo, misoginia, sexismo, homofobia e transfobia, tanto no ambiente de trabalho quanto fora dele.
A pasta confirmou que já determinou a adoção das medidas administrativas cabíveis para apurar o conteúdo dos áudios por meio dos órgãos disciplinares, assegurando ao servidor investigado o contraditório e a ampla defesa.
A Seap também manifestou apoio às pessoas que se consideram atingidas pelas declarações e reafirmou o compromisso com um ambiente institucional baseado no respeito, na dignidade humana e na valorização dos servidores.
Associação repudia conteúdo
A Associação dos Gestores da Polícia Penal da Paraíba (AGEPPEN-PB) também divulgou nota de repúdio classificando como inaceitáveis manifestações machistas, misóginas, discriminatórias e transfóbicas dentro da instituição.
No documento, a entidade afirma que o conteúdo divulgado revela uma cultura que ainda persiste em alguns espaços institucionais e destaca que mulheres policiais penais conquistaram seu espaço por competência, coragem e dedicação, exercendo funções de alta complexidade em igualdade de condições com os demais servidores.
A associação ainda ressaltou que comentários ofensivos não podem ser tratados como brincadeiras ou opiniões pessoais quando atingem a honra e a dignidade de colegas de trabalho.
Caso poderá chegar ao Ministério Público
Além da apuração administrativa instaurada pela Seap, a ONG Iguais, voltada à defesa dos direitos humanos e da população LGBTQIA+, informou que pretende encaminhar o caso ao Ministério Público para análise.
Andrea Gomes também afirmou que buscará as medidas legais cabíveis em relação às declarações atribuídas ao policial penal.
Até a publicação desta reportagem, não havia informação sobre eventual manifestação pública do servidor citado nos áudios.

