Eleito governador ainda no primeiro turno, jovem político assumiu a coordenação da campanha presidencial no estado e viu o petista ampliar a votação para 67,46% dos votos válidos na Paraíba.
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais também projeta nacionalmente o governador eleito da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP). Aos 37 anos, o político paraibano ganhou protagonismo ao assumir a coordenação da campanha de Lula no estado, em um movimento que o colocou no centro de uma articulação política que ultrapassou as fronteiras estaduais.
A trajetória de Lucas é marcada por uma ascensão relativamente rápida. Antes de chegar ao Governo da Paraíba, ele foi vereador de Campina Grande, vice-prefeito do município e vice-governador na gestão de João Azevêdo. Embora tenha ocupado funções públicas relevantes, ainda não havia comandado diretamente o Executivo estadual nem protagonizado uma disputa presidencial como articulador político. A eleição para governador, definida no primeiro turno, consolidou um novo estágio em sua carreira.
Durante a campanha estadual, adversários questionaram sua experiência e o classificaram como imaturo para o cargo. Também procuraram associar sua trajetória à influência de nomes de peso da política paraibana, como João Azevêdo, Aguinaldo Ribeiro, Hugo Motta, Adriano Galdino e Nabor Wanderley. A leitura apresentada por esses grupos era a de que Lucas dependeria de lideranças tradicionais para sustentar seu projeto político.
O segundo turno presidencial ofereceu ao governador eleito a oportunidade de demonstrar capacidade própria de articulação. Mesmo com a federação formada por PP e União Brasil tendo declarado apoio a Flávio Bolsonaro, Lucas manteve seu alinhamento com Lula e assumiu a coordenação da campanha petista na Paraíba. A decisão o colocou em posição distinta da orientação nacional de sua legenda e exigiu diálogo com partidos e lideranças de diferentes campos políticos.
O resultado eleitoral deu dimensão concreta à mobilização. Na Paraíba, Lula passou de 1.541.127 votos no primeiro turno, equivalentes a 61,31% dos votos válidos, para 1.794.059 votos no segundo, alcançando 67,46%. Foram 252.932 votos a mais, com crescimento de 6,15 pontos percentuais. A vantagem do petista sobre Flávio Bolsonaro chegou a 928.849 votos no estado.
Na capital, João Pessoa, Lula também ampliou seu desempenho. O candidato passou de 219.023 votos, ou 46,50% dos válidos, para 266.096 votos, equivalentes a 53,83%. O acréscimo foi de 47.073 votos, e a vantagem sobre Flávio Bolsonaro chegou a 37.865 votos no segundo turno.
Os números não permitem atribuir exclusivamente a Lucas Ribeiro o crescimento da votação de Lula, que resulta de múltiplos fatores políticos e eleitorais. Ainda assim, o desempenho do presidente na Paraíba oferece um indicador relevante para avaliar o contexto em que o governador eleito exerceu seu papel de coordenador. A votação aumentou em relação ao primeiro turno, tanto no estado quanto na capital.
Mais do que a associação com figuras tradicionais, o novo momento político coloca Lucas diante do desafio de construir uma identidade própria à frente do Governo da Paraíba. A capacidade de articular alianças, manter diálogo com o governo federal e conduzir uma administração estadual serão fatores importantes para medir a consolidação de sua liderança.
Com a eleição estadual definida no primeiro turno e a vitória de Lula no segundo, Lucas Ribeiro encerra o ciclo eleitoral com projeção ampliada. O próximo passo será transformar o capital político acumulado durante a campanha em resultados administrativos e em uma liderança capaz de se sustentar para além das alianças que marcaram sua chegada ao poder.
Por @jairoalves.87
Jairo Alves
É Editor do Seliga Litoral, formado em Jornalismo pela UFPB e mestrando em Jornalismo pelo PPJ da mesma Universidade.
