Com o espetáculo “Cirandarte”, grupo de cultura popular se apresenta nesta segunda-feira (12), no Sertão paraibano, levando a força das tradições transmitidas entre gerações e a identidade cultural da região de fronteira entre Pernambuco e Paraíba.
Os sons dos tambores, os passos da dança e a roda que aproxima gerações atravessam as fronteiras entre Pernambuco e Paraíba para chegar ao Sertão. Neste domingo (11), o Grupo de Cultura Popular Camboi segue viagem para Sousa, na Paraíba, levando a tradição dos municípios de Itambé e Pedras de Fogo para uma apresentação no Centro Cultural Banco do Nordeste Sousa (CCBNB). O espetáculo Cirandarte será apresentado nesta segunda-feira (12), reunindo música, dança, brincadeira e participação popular em torno de uma das mais expressivas manifestações da cultura nordestina: a ciranda.
Criado pelos brincantes Glício Lee, William Pimentel, Valkiria Pimentel e Marquinho Silva, o Camboi desenvolve um trabalho de valorização, preservação e difusão das manifestações tradicionais da cultura popular. Seus integrantes mantêm uma relação com os folguedos desde a infância e encontram na arte um caminho para preservar memórias, compartilhar conhecimentos e fortalecer a identidade cultural dos territórios onde atuam.
A presença do grupo em Sousa representa mais do que uma apresentação artística. É também a oportunidade de levar ao público sertanejo expressões culturais que fazem parte da história e do cotidiano da Zona da Mata Norte e da região litorânea de Pernambuco e da Paraíba. No centro dessa trajetória está a cultura popular como espaço de encontro, pertencimento e transmissão de saberes entre mestres, brincantes e novas gerações.
Uma cultura que atravessa fronteiras
A atuação do Camboi reúne diferentes expressões da cultura popular nordestina. Além da ciranda, o grupo desenvolve atividades artísticas e educativas com Cavalo Marinho, Coco de Roda, Capoeira, Samba de Roda, Maculelê, Percussão Afro e contação de histórias. Essa diversidade contribui para aproximar públicos de diferentes idades das tradições que permanecem vivas nas comunidades.
O grupo tem como padrinho o mestre de Cavalo Marinho João Cesário Venâncio, conhecido como Mestre Araújo, fundador do Cavalo Marinho Boi de Ouro, de Pedras de Fogo. A ligação com mestres da cultura popular reforça a importância da oralidade, da convivência e da experiência como formas de aprendizado e continuidade das tradições.
Para Glício Lee, um dos criadores do Camboi, representar Itambé e Pedras de Fogo em outros espaços culturais é uma forma de valorizar a história e os saberes populares da região.
“Levar o Camboi para Sousa é levar um pouco da história, da memória e da identidade do nosso povo. A cultura popular nasce nas comunidades, nas rodas, nas brincadeiras e na convivência entre gerações. Quando chegamos a outros territórios, compartilhamos essa riqueza e mostramos que nossas tradições continuam vivas, porque existem pessoas que acreditam nelas, cuidam delas e fazem questão de transmiti-las”, destaca Glício Lee.
A trajetória do grupo também conta com a parceria da Ilê Produções, que contribui para as ações de produção, circulação e valorização da cultura popular.
Uma trajetória que alcança outros públicos
Ao longo de sua caminhada, o Camboi ultrapassou as fronteiras da Paraíba e de Pernambuco. Um dos destaques foi a participação no 19º Festival de Inverno de Bonito, realizado em Mato Grosso do Sul, entre 26 e 29 de julho de 2018. Na ocasião, o grupo integrou a programação cultural do evento e apresentou o Cavalo Marinho no cortejo de abertura, levando uma manifestação tradicional nordestina ao público de outra região do país.
O grupo também construiu uma trajetória de apresentações nos três Centros Culturais do Banco do Nordeste: Sousa, na Paraíba; Cariri, em Juazeiro do Norte, no Ceará; e Fortaleza, na capital cearense. A circulação nesses espaços amplia o alcance do trabalho e favorece o intercâmbio entre artistas, comunidades e públicos de diferentes lugares.
Cirandarte: a roda como lugar de encontro
É com essa bagagem cultural que o Camboi chega a Sousa para apresentar Cirandarte. O espetáculo tem a ciranda como expressão central e transforma música, dança e participação coletiva em uma experiência compartilhada. Na roda, cada pessoa encontra seu lugar: o movimento individual se integra ao conjunto, enquanto o canto e o ritmo criam uma conexão entre quem brinca e quem acompanha.
A apresentação desta segunda-feira (12), no Centro Cultural Banco do Nordeste Sousa, reafirma a importância dos espaços culturais para a circulação de grupos tradicionais e para o reconhecimento dos artistas que mantêm vivos os saberes populares.
Mais do que ocupar o palco, o Grupo Camboi leva consigo histórias, referências e práticas construídas ao longo de gerações. Entre tambores, cantos e danças, o grupo reafirma seu compromisso com a ancestralidade e a preservação da cultura popular nordestina, mostrando que a tradição não pertence apenas ao passado: ela continua em movimento, ganha novos públicos e se renova a cada roda.

