Por Jairo Alves
Amanhã iremos votar. Volto a 2010, 16 anos atrás. Eu tinha 23 anos. Naqueles rostos que despontavam nos debates, uma inteligência me chamou atenção.
Um senhor muito simpático e mais inteligente do que Dilma e Serra juntos falava com convicção sobre o Brasil que acreditava. Seu nome? Plinio de Arruda Sampaio.
Um esquerdista de verdade.
Plinio acreditava no que pregava: mais que isso, vivia suas ideias.
Advogado, foi eleito deputado federal em 1962. “Arruda Sampaio elegeu-se pelo Partido Democrata Cristão (PDC) em 1962 e foi relator do projeto de reforma agrária que integrava as reformas de base do governo João Goulart.
Após o golpe de 1964, teve os direitos políticos cassados por 10 anos, pelo Ato Institucional nº 1. Exilou-se no Chile por seis anos, a convite do então presidente do país, o democrata-cristão Eduardo Frei, trabalhando na Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).”
Promotor de justiça, atuou na vida pública em São Paulo. Ajudou a fundar o PT, desiludiu-se com os rumos do partido, filiou-se ao PSOL na época em que trabalho era mais importante do que gênero.
Casado, teve seis filhos com Marieta, mulher de sua vida. Católico, acreditava numa democracia cristã. Era muito inteligente, sereno e humilde.
Foi amigo de Lula. O presidente não foi no velório de Plinio de Arruda Sampaio, um gesto mesquinho, para dizer o mínimo. Há 12 anos não temos mais Plinio entre nós. Morreu de um câncer.
Ainda bem que ele não viu no que se tornou o debate público nacional, decadente já em sua época. Goste-se ou não das bandeiras de Arruda Sampaio, gostávamos de Plinio pelo seu eu – inteiro, íntegro, real, sem concessões obscenas.
Por @jairoalves.87
Jairo Alves
É Editor do Seliga Litoral, formado em Jornalismo pela UFPB e mestrando em Jornalismo pelo PPJ da mesma Universidade.

