O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou seu discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nesta terça-feira (22/09), para endurecer o tom contra o Irã, país com o qual os EUA estão em guerra há quase sete meses. Trump descreveu a República Islâmica como o “maior patrocinador do terrorismo do mundo” e disse que terá de decidir entre um acordo com Teerã ou uma ação militar para destruir o regime rapidamente.
“Ou devo aniquilar a República Islâmica e fazê-lo rapidamente, sem nunca lhes dar a chance de matar e destruir pessoas e países novamente?”, questionou Trump da tribuna. Ele também pediu apoio internacional para pressionar Teerã: “Peço a todas as nações que ajudem a impor o isolamento econômico total do Irã”.
Acordo “logo após a eleição”
Apesar da ameaça, o presidente americano sinalizou que vê espaço para negociação. Segundo a CNN Brasil, Trump afirmou acreditar que um acordo será fechado “logo após a eleição” — as eleições de meio de mandato nos EUA acontecem em novembro. Ele disse ainda que abriu negociações que foram recusadas pelos iranianos, afirmou ter acabado com o programa nuclear do país e cobrou a reabertura do Estreito de Ormuz para o transporte de petróleo.
O secretário de Estado, Marco Rubio, disse que Washington está “aberto a conversar” com os iranianos se isso “levar a algo positivo”. A última rodada de conversas presenciais entre os dois países aconteceu em julho, e um acordo provisório assinado na ocasião fracassou semanas depois.
A resposta de Teerã
Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, reagiu afirmando que Trump “precisa entender que não pode impor seu poder ao povo iraniano”. Um alto funcionário do governo iraniano disse à agência Reuters que o país poderia reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias caso os EUA atendessem às suas exigências. Um porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebbi, advertiu que o Irã “mudaria a geografia da guerra” se os EUA escalassem o conflito, segundo a Associated Press. O presidente iraniano também participa da Assembleia Geral.
IA, multilateralismo e Venezuela
Além do Irã, Trump dedicou boa parte do discurso a críticas às instituições multilaterais e a elogios ao próprio governo. Ele defendeu o desenvolvimento da inteligência artificial sem regulação — “os Estados Unidos abraçam o mundo da superinteligência”, disse — e citou a ação militar americana na Venezuela como demonstração de força. “Enquanto outros falavam, eu agi. Enquanto outros falavam de paz, eu fiz a paz”, afirmou.
Por que isso importa para o Brasil
A guerra entre EUA e Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo, pressionam os preços internacionais de energia e alimentos — com reflexos no combustível, no frete e na inflação no Brasil. Um sinal concreto de acordo reduziria essa pressão; uma escalada militar, ao contrário, tende a agravá-la.
Fontes
CNN Brasil, SBT News, Brasil de Fato e ISTOÉ (22/09/2026), sobre o discurso de Trump na Assembleia Geral da ONU; Just Security, “Early Edition” (22/09/2026), com informações da Associated Press.

