Os trabalhadores dos Correios na Paraíba decidiram, em assembleia realizada nesta segunda-feira (21/09) em João Pessoa, manter a greve iniciada em 11 de setembro de 2026. A paralisação, que integra um movimento nacional da categoria, reduz o funcionamento da estatal no estado a apenas serviços administrativos internos, afetando a rotina de entrega de correspondências e encomendas para moradores e empresas paraibanas.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos na Paraíba (Sintect-PB), presidido por Tony Sérgio, as principais reivindicações da categoria são a recomposição salarial para compensar perdas causadas pela inflação, a manutenção de benefícios já conquistados e melhorias na assistência à saúde oferecida aos empregados. O sindicato também afirma que os trabalhadores se opõem ao que classifica como um processo de desmonte e reestruturação da estatal, tema que tem sido central no movimento grevista em nível nacional.
Linha do tempo do movimento
A greve na Paraíba começou em 11 de setembro, após rodadas de negociação entre a categoria e a direção dos Correios não avançarem o suficiente para evitar a paralisação. Passadas mais de uma semana de movimento, a assembleia de 21 de setembro confirmou a continuidade da greve, com os trabalhadores rejeitando encerrar a paralisação sem avanços concretos nas negociações. O próximo capítulo do imbróglio já tem data marcada: uma audiência de dissídio coletivo na Justiça do Trabalho está agendada para esta quinta-feira, 24 de setembro, quando a Justiça deve se pronunciar sobre o impasse entre sindicato e empresa.
Impacto no dia a dia de quem depende dos Correios
Com o funcionamento restrito a serviços administrativos internos durante a greve, moradores e empresas paraibanas que dependem dos Correios para envio e recebimento de correspondências, encomendas e serviços associados enfrentam atrasos e dificuldades de atendimento enquanto o movimento durar. Esse tipo de paralisação tende a pesar de forma particular sobre pequenos negócios que utilizam o serviço postal público para despachar produtos — um canal logístico ainda relevante para comércio eletrônico de menor porte e para envio de documentos que dependem de registro formal via Correios, especialmente em municípios do interior da Paraíba com menos alternativas de transportadoras privadas.
Um movimento nacional
A paralisação na Paraíba não é um caso isolado: faz parte de uma mobilização nacional da categoria dos Correios, que reivindica, em diferentes estados, pautas semelhantes ligadas a salário, benefícios e resistência a mudanças na estrutura da estatal. Esse caráter nacional do movimento é um fator que tende a pesar na negociação — tanto para a categoria, que ganha força de mobilização coletiva, quanto para a empresa, que negocia simultaneamente em múltiplas frentes regionais.
Perspectivas
Com a audiência de dissídio marcada para o dia 24 de setembro, a expectativa é que a Justiça do Trabalho defina os próximos passos do imbróglio — seja determinando condições para o fim da paralisação, seja abrindo caminho para uma negociação supervisionada entre sindicato e Correios. Até lá, a categoria na Paraíba mantém a posição de continuidade da greve, conforme decidido na assembleia de segunda-feira, o que deve manter o funcionamento reduzido da estatal no estado pelo menos até a decisão judicial.
Fontes
Jornal da Paraíba (21/09/2026); Portal Correio.

