A Paraíba deve registrar a maior expansão econômica entre os estados do Nordeste em 2026, segundo projeção do Departamento Econômico do banco Santander. O levantamento, assinado pelos economistas Gabriel Couto e Rodolfo Pavan, aponta crescimento de 2,33% do Produto Interno Bruto (PIB) paraibano neste ano — a 10ª melhor taxa entre as 27 unidades da federação e a primeira colocação entre os nove estados nordestinos, à frente do Maranhão, que aparece em segundo lugar na região com 2,16%.
O desempenho chama atenção por superar economias bem maiores: segundo o estudo, a Paraíba deve crescer mais do que Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais em 2026. O banco projeta que todos os 27 estados brasileiros fecharão o ano com crescimento positivo, mesmo em um cenário de desaceleração da economia nacional como um todo.
Serviços e agropecuária puxam o resultado
De acordo com a análise do Santander, o setor de serviços é o principal motor da expansão paraibana em 2026, respondendo pela maior fatia do PIB estadual — um padrão que se repete em boa parte dos estados nordestinos, onde a economia é historicamente mais dependente do consumo interno e da prestação de serviços do que da indústria pesada. Some-se a isso o desempenho da agropecuária, impulsionada por safras recordes recentes, que ajuda a sustentar a renda no interior do estado e a cadeia de comércio e logística que depende dela.
Esse cenário é coerente com dados publicados meses antes por outro banco: um estudo do Santander divulgado em julho já apontava a indústria paraibana crescendo 4,7% em 2026 — o 2º melhor resultado industrial do país, atrás apenas do Piauí (5%) — com o setor de serviços, que responde por mais de 60% do PIB estadual, avançando 2% no ano. A única exceção negativa projetada era a agropecuária no recorte de julho (-1,5%), o que mostra como esse tipo de projeção pode mudar ao longo do ano conforme os resultados de safra se confirmam — no levantamento mais recente, é justamente uma safra recorde que passa a puxar o resultado positivo.
Reflexo no ambiente de negócios
O bom momento projetado para a economia paraibana também aparece nos indicadores de abertura de empresas. Dados da Receita Federal mostram que empreendedores de até 35 anos foram responsáveis por 56% de todas as novas empresas abertas no estado entre janeiro e maio de 2026 — um total de mais de 18 mil negócios, concentrados principalmente em comércio e serviços, segmentos que exigem menor investimento inicial. João Pessoa concentrou 41% de todas as aberturas do período, seguida por Campina Grande. Esse movimento de empreendedorismo jovem reforça a leitura de que o crescimento projetado pelo Santander não é apenas um número macroeconômico, mas tem contrapartida na ponta — mais gente abrindo negócio mesmo em um cenário de juros ainda elevados.
O que isso significa para quem faz negócio na região
Para empresários e comerciantes da Paraíba, uma economia estadual crescendo acima da média nacional e da média nordestina tende a se traduzir em mais consumo, mais crédito circulando e mais espaço para expansão de negócios locais — especialmente no comércio e nos serviços, que já são hoje os setores mais dinâmicos do estado. A base agropecuária aquecida também tem efeito de arrasto sobre fornecedores, transportadoras e o comércio do interior, em polos como Campina Grande e o Agreste paraibano, historicamente ligados à cadeia produtiva rural.
Para Pernambuco, o estudo do Santander não traz uma projeção específica no recorte mais recente, mas a proximidade geográfica e a integração das cadeias produtivas dos dois estados tornam plausível — ainda que seja uma inferência econômica, não um dado confirmado no levantamento — que parte do dinamismo do comércio e dos serviços paraibanos beneficie também fornecedores e prestadores de serviço pernambucanos que operam na fronteira entre os dois estados, no eixo que liga João Pessoa a Recife.
Perspectivas
Para 2027, o Santander projeta uma desaceleração generalizada: a Paraíba deve crescer 1,7%, ainda acima das médias do Nordeste e do Brasil, ambas estimadas em 1%. Isso sugere que o atual ciclo de crescimento acima da média nacional tende a se manter, mesmo que em ritmo mais moderado, o que reforça a leitura de que o bom momento da economia paraibana em 2026 não é um evento isolado, mas parte de uma trajetória que o mercado financeiro já vinha monitorando desde pelo menos a primeira metade do ano.

