Autoridades dos Estados Unidos e da China se reuniram neste domingo, 20 de setembro de 2026, na sede do JPMorgan Chase em Nova York, para uma nova rodada de negociações econômicas entre as duas maiores economias do planeta. Do lado americano, participaram o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer. Pela China, a delegação foi liderada pelo vice-primeiro-ministro He Lifeng, com possível presença de representantes da fabricante de veículos elétricos BYD na comitiva empresarial que deve acompanhar o presidente Xi Jinping.
Contexto: véspera da cúpula Trump-Xi
O encontro em Nova York funciona como preparação para a cúpula entre o presidente americano Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, marcada para quinta-feira, 24 de setembro de 2026, em Washington. A reunião entre Bessent e He Lifeng estava agendada para começar às 10h30 (horário local) na sede do banco JPMorgan Chase.
Os temas na mesa
Segundo apuração feita a partir de diferentes veículos internacionais, a pauta de negociação inclui:
- A trégua tarifária entre os dois países, que expira em novembro de 2026;
- Fluxo de terras raras e minerais críticos, insumos estratégicos para eletrônicos, baterias e defesa;
- Diretrizes de segurança para inteligência artificial (“AI guardrails”);
- Tarifas sobre produtos agrícolas e energéticos;
- Comércio eletrônico, automóveis e tecnologia;
- Chips avançados de semicondutores;
- Temas geopolíticos correlatos, como sanções ao Irã e venda de armas dos EUA a Taiwan.
Washington e Pequim vêm trabalhando, segundo a apuração internacional, para reduzir tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões (aproximadamente R$ 168,9 bilhões, em conversão aproximada) em produtos agrícolas e energéticos de cada lado, dentro de um mecanismo de comércio bilateral lançado ainda neste ano.
Histórico da disputa comercial
As duas maiores economias do mundo vêm alternando, desde o início da atual gestão americana, períodos de escalada tarifária e de tréguas negociadas. A trégua vigente, que expira em novembro de 2026, é o pano de fundo imediato da rodada de Nova York: sem um novo acordo, tarifas suspensas podem voltar a ser aplicadas, afetando cadeias produtivas globais que dependem de insumos chineses (como terras raras) e de mercado consumidor chinês para produtos americanos (como soja e outros grãos).
Consequências para empresas e mercados
Para empresas globais que dependem de terras raras — usadas em baterias, eletrônicos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa — a manutenção ou rompimento da trégua tarifária tem efeito direto sobre custo de insumos e previsibilidade de cadeias de suprimento. Já para o setor agrícola americano, a redução de tarifas sobre produtos como soja e milho destinados à China pode reabrir um mercado historicamente relevante para os produtores dos EUA.
Relação com o Brasil
O Brasil se tornou, nos últimos anos, um dos principais beneficiários da disputa comercial entre EUA e China, na medida em que exportadores brasileiros de soja e outros grãos ocuparam espaço de mercado chinês perdido pelos produtores americanos durante períodos de tarifaço. Uma eventual redução de tarifas chinesas sobre produtos agrícolas americanos, se confirmada na cúpula de Washington, tende a reintroduzir concorrência direta ao agronegócio brasileiro no mercado chinês — efeito que aqui se registra como uma inferência de mercado, já que os termos finais do acordo entre EUA e China ainda não foram fechados nem detalhados publicamente até a publicação desta matéria.
Do lado cambial, negociações que reduzem tensão comercial global tendem a favorecer o apetite por risco em mercados emergentes, incluindo o Brasil, com potencial efeito sobre o fluxo de capital estrangeiro e sobre a cotação do real frente ao dólar — também aqui um efeito indireto, sujeito ao desenrolar da cúpula de 24 de setembro.
Relação com Paraíba e Pernambuco
Embora o epicentro da negociação seja o comércio entre EUA e China, os desdobramentos sobre o mercado global de commodities agrícolas têm efeito indireto sobre o agronegócio nordestino, incluindo produtores paraibanos e pernambucanos que acompanham a formação de preços internacionais de grãos e insumos agrícolas. Já o polo portuário de Suape, em Pernambuco, tende a ser sensível a qualquer reconfiguração de fluxos globais de comércio e logística que resulte do encontro entre as duas potências — um efeito de longo prazo, e não uma consequência imediata da rodada de negociações desta semana.
Perspectivas futuras
Os próximos dias até a cúpula de 24 de setembro em Washington devem definir se as tratativas iniciadas em Nova York resultam em um acordo formal de extensão ou ajuste da trégua tarifária, ou se as tensões comerciais entre as duas potências voltam a se intensificar após novembro, quando a trégua atual expira.
Fontes
- Bloomberg, 19 de setembro de 2026 — US, China Trade Teams Set to Huddle in New York on AI, Iran
- CNBC, 20 de setembro de 2026 — Bessent meets China Vice Premier He Lifeng ahead of Trump-Xi summit
- Tribuna do Sertão, 20 de setembro de 2026 — EUA e China ajustam trégua tarifária antes do encontro entre Trump e Xi em Washington

