A Paraíba registrou saldo positivo de emprego formal pelo quinto mês seguido em julho de 2026. Foram 2.307 novos postos de trabalho com carteira assinada no mês, resultado de 24.972 admissões contra 22.665 desligamentos, de acordo com o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Cinco meses no azul
O estado acumula saldos positivos desde março, passando por abril, maio, junho e julho. No acumulado de 2026, de janeiro a julho, a Paraíba abriu 9.060 vagas formais líquidas — foram 160.362 admissões e 151.302 desligamentos no período. Com isso, o estoque de trabalhadores com contrato formal em atividade chegou a 558.233, alta de 0,41% em relação ao mês anterior.
Indústria puxa, comércio recua
No recorte por setor, a indústria foi a que mais contratou em julho, com saldo de 1.298 vagas. Em seguida vieram os serviços (+571), a construção civil (+418) e a agropecuária (+152). O comércio foi o único grande setor no campo negativo, com o fechamento de 132 postos no mês — um movimento que costuma refletir ajuste de quadro após datas de maior movimento e antecipação de contratações sazonais para o segundo semestre.
Posição no Nordeste
Com os 2.307 postos de julho, a Paraíba ficou em terceiro lugar entre os estados do Nordeste na geração de empregos formais no mês, atrás de Bahia (4.664) e Ceará (4.181). O desempenho acompanha um período de recuo do desemprego: segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, a taxa de desocupação na Paraíba ficou em 5,4% no trimestre encerrado em junho, o menor patamar já registrado para o estado nessa pesquisa.
O que dizem as autoridades
O secretário de Estado da Fazenda da Paraíba, Marialvo Laureano, afirmou que a geração de emprego “tem sido consistente nos últimos anos”, citando os mais de 9 mil postos abertos em 2026 e a taxa de desemprego em mínimas históricas. O governo estadual associa parte do resultado a programas de crédito e de atração de investimentos e à agenda de obras públicas em andamento.
Contexto nacional
O resultado da Paraíba se dá num quadro de desaceleração da economia brasileira: o PIB do país cresceu 0,5% no segundo trimestre, com queda no consumo das famílias, e o Boletim Focus projeta expansão de cerca de 1,9% para o ano, ante os quase 3% de 2025. O mercado de trabalho, no entanto, ainda vinha resistindo bem em boa parte do país no primeiro semestre, com saldos mensais positivos puxados por serviços e construção. A dúvida para os próximos meses é se o esfriamento da atividade e os juros ainda altos vão chegar à ponta da contratação.
O que isso significa para empresas e trabalhadores
Um mercado de trabalho aquecido tende a sustentar a massa de renda e o consumo local, o que é relevante para o comércio e os serviços do estado — justamente o setor que apareceu no negativo em julho, o que merece acompanhamento. Para as empresas, saldos positivos seguidos também significam concorrência maior por mão de obra qualificada em áreas como indústria de transformação, tecnologia e construção, com pressão sobre salários de admissão em funções específicas. A liderança da indústria no mês é um sinal a favor dos polos industriais de João Pessoa, Campina Grande e da região de Santa Rita e Bayeux.
Perspectivas
O segundo semestre costuma concentrar as contratações temporárias do varejo para o fim de ano, o que tende a melhorar os números do comércio nos próximos boletins. O ritmo dependerá do desempenho das vendas no Dia das Crianças e no Natal e da confiança do empresariado diante do cenário de juros. Os dados de agosto do Novo Caged devem ser divulgados pelo Ministério do Trabalho no fim de setembro.
Fontes
Novo Caged / Ministério do Trabalho e Emprego, dados de julho de 2026; Governo da Paraíba, “Paraíba gera saldo de empregos formais em julho, revela Caged”; IBGE, Pnad Contínua, trimestre encerrado em junho de 2026.

