A inflação brasileira desacelerou de forma expressiva em agosto. O IPCA-15, prévia do índice oficial de preços, teve deflação de 0,40% no mês, de acordo com o IBGE — a maior queda para o período em vários anos e uma reversão frente à alta de 0,06% registrada em julho, uma diferença de 0,46 ponto percentual. O resultado ficou bem abaixo da expectativa do mercado, que projetava recuo de 0,29%.
Onde os preços caíram
Três dos nove grupos pesquisados puxaram o índice para baixo. Habitação recuou 1,41%, com impacto de -0,22 ponto no índice geral, empurrada pela queda de 6,25% na energia elétrica residencial — sozinha, o item de maior peso no resultado, com -0,26 ponto. Transportes caiu 1,00% (-0,20 ponto), com passagens aéreas 13,30% mais baratas e o etanol em queda de 3,63%. Alimentação e bebidas cedeu 0,57% (-0,12 ponto), com recuos de 27,38% no tomate e 25,14% na batata-inglesa.
Os acumulados
Com o resultado, o IPCA-15 acumula alta de 3,09% no ano e de 4,24% em 12 meses, ante 4,52% nos doze meses até julho. O centro da meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo — ou seja, o teto é 4,5%. A inflação em 12 meses, portanto, voltou para dentro do intervalo, embora ainda acima do alvo central.
O que explica a desaceleração
Parte da queda tem causa sazonal e pontual: a bandeira tarifária mais barata na conta de luz, a safra que derrubou o preço de hortaliças e a baixa temporada de viagens depois das férias de julho. Mas há também um componente de fundo: o efeito defasado dos juros elevados, que seguram o consumo e a demanda por crédito há mais de um ano, e um câmbio que se valorizou ao longo de 2026, barateando importados e insumos.
Consequências para empresas e consumidores
Para as famílias, o alívio aparece primeiro na conta de luz e no supermercado, dois itens que pesam mais no orçamento de quem ganha menos. Para o comércio e a indústria, inflação mais baixa melhora a previsibilidade de custos e reduz a pressão por reajustes de contratos, aluguéis e salários indexados. O risco é a leitura de que a desinflação é passageira — se energia e alimentos voltarem a subir nos próximos meses, o quadro pode se inverter rapidamente.
Relação com o Copom e com o Nordeste
O dado chega poucos dias antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em meados de setembro, que decidirá se mantém ou reduz a taxa básica de juros. Uma prévia de inflação abaixo do esperado reforça o argumento de quem defende o início dos cortes, embora o Banco Central venha sinalizando cautela enquanto a inflação de serviços não cede com clareza. Para o consumidor de Pernambuco e da Paraíba, a queda da energia elétrica tem efeito direto: as regiões metropolitanas de Recife e a área de abrangência da pesquisa no Nordeste estão entre as que mais sentem oscilações de bandeira tarifária e de preço de alimentos in natura, dado o peso desses itens na cesta local.
Perspectivas
O IPCA fechado de agosto será divulgado pelo IBGE em 11 de setembro e tende a confirmar a deflação ou uma variação muito próxima de zero. A partir daí, o mercado volta a atenção para setembro, mês em que a conta de luz e os combustíveis podem voltar a pressionar, e para a decisão do Copom, que baliza o custo do crédito para empresas e famílias até o fim do ano.
Fontes: IBGE — Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor, IPCA-15 de agosto de 2026 (divulgado em 26/08/2026); Poder360, “IPCA-15 tem deflação de 0,40% em agosto de 2026”; InfoMoney, “IPCA-15: prévia da inflação cai 0,40% em agosto, mais do que o esperado pelo mercado”; Agência Gov, “Prévia da inflação de agosto é de -0,40%, informa IBGE”.

